quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Humor e comportamento social


Elídia Rosa

De uns dias para cá, ascendeu a discussão sobre um conhecido comediante-apresentador-provocador, que acompanho já há bastante tempo - por ser conterrâneo - desde quando ainda postava vídeos no youtube e pequenas inserções nas rádios locais. O tempo passou, o rapaz hoje visto na bancada de um programa de TV com grande audiência, faz provocações  (humor?) que seguem a mesma linha .

Na esteira de declarações polêmicas, uma a mais não faria diferença... só que fez. O artista foi afastado do programa que integrava e gerou um debate dos limites sobre o que é humor ‘aceitável’, o que fomentou também uma discussão sobre o comportamento das pessoas, seja em grupos íntimos ou em público, quando o assunto é ‘tirar onda dos outros’. Não vou entrar na discussão geral, da suspeita de conspiração de pessoas influentes envolvidas, enfim. Mas pensar junto nessa questão:

É muito difícil separar a linha tênue do que é socialmente aceitável ou não.

Acompanhei dia desses um outro programa que o mesmo moço apresenta, com reportagens de jornalismo investigativo, e por um instante consegui dissociar o apresentador da persona que proferia tiradas irônicas (piadas?) na bancada da outra atração dias atrás. Vi alguém muito atuante naquele momento, no que se propunha a fazer, e não pude deixar de admirá-lo.

Só alguém com certo talento conseguiria fazer as duas coisas (‘humor’ e reportagens sérias), mas ao mesmo tempo creio que isso contribuiu para que uma sucessão de erros começasse a ocorrer tanto na cabeça do espectador quanto no papel do que o humorista exerce nos locais onde transitam suas idéias (TV/internet).

Aí alguém diz:

"- Mas o stand-up americano é muito mais irreverente e ácido que o humor brasileiro” (faz piadas com minorias). Aí entra a questão de perfil de público, creio eu, e o fato de que muitos desses comediantes geralmente falam (e riem) muito de si. Acredito que não dá pra jogar na TV algo que um público específico paga pra assistir.

Para finalizar, acredito que hipocrisia não seja uma palavra que defina totalmente o que está sendo discutido, (no sentido de que a as pessoas que aplaudiam o moço agora o criticam, por ser um comportamento aceitável socialmente). Há algo muito interessante nessa discussão, que vai além de simples definições de conceitos:

 - O que nosso ‘infinito particular’ fala sobre nós socialmente? E o que o social nos diria enquanto indivíduos?

Mais sobre a polêmica: 





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