terça-feira, 24 de abril de 2012

Refletindo sobre o futuro da 7ª geração após a Independência

Segundo Heráclito, o período de uma geração, "o espaço de tempo no qual o pai vê o seu filho tornando-se pessoa capaz de engendrar", seria de 30 (trinta) anos. Já a Bíblia prevê 40 (quarenta) anos como correspondendo à duração de uma geração. E, atualmente, no entender de alguns, a cronologia que separa cada o grau de filiação já teria caído para 25 (vinte e cinco) anos.

Todavia, considero mais adequada a versão do citado filósofo pré-socrático, tido também como o "pai da dialética", já que um século acaba contendo mesmo três gerações, pelo que se consolidou o seu pensamento muito bem lembrado pelo gramático romano Censorinus:


“Um século é a maior duração da vida humana, que é limitada pelo nascimento e pela morte. Aqueles, por consequência, que reduziram o século a um espaço de trinta anos, cometeram manifestamente um grande erro. É Heráclito que chama este lapso de tempo de ‘geração’, já que ele envolve uma revolução da idade do homem; e ele chama de revolução da idade do homem todo o período durante o qual a natureza humana faz o retorno do semeado à semeadura”

Aplicando estes conceitos à idade do jovem país Brasil, nascido não em 1500, mas sim com sua emancipação política (07/09/1822), fico a indagar a respeito da nossa evolução coletiva no decorrer das seis gerações de lá para cá.

Não é fácil abandonarmos de uma vez por todas a mentalidade de um povo colonizado para enxergarmos a nós mesmos como nação livre com grande potencial de se desenvolver. O melhor testemunho disso foi que, segundo a Bíblia, Moisés precisou que praticamente toda aquela geração que saiu do Egito, no êxodo, fosse substituída por uma nova criada ali no deserto do Sinai e sem mais a mentalidade de escravos.

Diferente da história bíblica do povo de Israel, nós brasileiros passamos por um processo tranquilo de independência formal e fomos conduzidos pela família real portuguesa durante quase setenta anos até à proclamação da República, quando ainda estávamos no começo da terceira geração "livre".

No entanto, o golpe militar que impôs a forma republicana de governo não foi capaz de formar uma geração com um alma verdadeiramente emancipada. Continuamos submissos aos interesses estrangeiros por décadas, deixando que os "coronéis" mandassem nos rumos da política nacional. E, se conseguimos nos industrializar no século XX, foi pura sorte por causa da primeira guerra mundial e da revolução de 1930 (período da quarta geração). Isto porque as fábricas europeias não puderam mais atender ao nosso mercado e, por necessidade, o Brasil teve que ter sua própria produção. Além disto, a quebra da Bolsa de Nova Iorque foi ótima para diminuir o poder das medíocres oligarquias rurais.

Depois de terem suicidado Getúlio Vargas, a nossa autonomia econômica não durou muito. Tão logo os interesses das multinacionais articularam-se com os das elites brasileiras e, deste modo, tivemos o desenvolvimento do país freado na segunda metade do século passado. Por mais que a quinta geração (1942-1972) tivesse lutado pelas liberdades políticas, predominou o "cale-se" ditado pelos generais da terceira e quarta gerações, conforme bem compôs o Chico Buarque nas suas inteligentíssima letras.

Pode-se afirmar que o pior momento da história recente do nosso país teria sido a época dos militares. Foi nesta época que o nosso povo sofreu um danoso impacto em sua formação cultural por causa do sistema repressivo que foi montado. Se a escola já não poderia mais ensinar o aluno a pensar, criou-se uma geração bem propícia para a manipulação feita pela mídia, com um gosto alienígena de coca-cola.

Apesar da brilhante música cantada pelo grupo Legião Urbana, os "filhos da revolução" e "burgueses sem religião" não derrubaram reis. A grande maioria foi intoxicada pelo lixo enlatado que lhes fora empurrado. E, passada a ditadura, o povo brasileiro elegeu Collor de Mello, sendo que os heróis da resistência também se corromperam e falharam quando chegaram ao poder.


Pois bem. Daqui a uma década, o Brasil estará completando seus 200 anos de independência. Será governado pela sexta geração (a minha) e estará criando uma sétima nascida a partir de 2002. Estas moças e rapazes, filhos século XXI, já não trarão mais as marcas da ditadura militar em suas mentes. Só que há algo bem preocupante nisso tudo. É que está faltando a verdadeira educação.

O que é educar? Seria somente oferecer escolas para adolescentes e crianças afim de lhes transmitir um conteúdo programático desenvolvido pelo MEC?

Tenho pra mim que educar é algo muito maior do que isto, pois requer o investimento dos pais, da sociedade e do governo na formação de uma pessoa. Algo que não está ocorrendo nem nas instituições de ensino e muito menos nas famílias. E aí lamento muito em ver esta garotada solta, alimentando-se das informações expostas na mídia e na internet, sendo aprovada nos períodos letivos sem ao menos terem realmente aprendido. Uma maquiagem só para que o Brasil melhore a sua imagem no exterior.

Creio que o nosso país precisa muito mais do que aumentar os investimentos estatais na educação. Precisamos de um trabalho sério nesta área já que, atualmente, as mulheres trabalham fora e não podem mais colaborar tanto na educação das crianças como foi nos tempos de nossas avós. Devido a isso, o ensino em horário integral (manhã e tarde) faz-se necessário assim como a ministração de aulas sobre Cidadania, Ecologia, Sexualidade, Controle de Emoções, e Ética, as quais não podem continuar dependendo da transversalidade nas disciplinas de História e de Geografia.

Só ensino em horário integral, com professores entusiasmados e bem remunerados, é que poderá contribuir para a educação dessas nossas crianças. Por isso, uma pessoa precisaria também de uma formação mais sólida para então dar aulas, o que envolveria um comprometimento maior com a profissão.

E aí? O que nós, homens e mulheres adultos, faremos?

A pena da História está hoje em nossas mãos!
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