quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Via Sacra



Procuro encontrar razões para justificar minha descrença. Faço parte de uma minoria que não se envolve em movimentos eclesiásticos. Estive eu ouvindo o Papa e a apresentação da via crucis e matutei; Será que esta grande massa se contenta com ilusões?
  Construímos nossas crenças por várias e diferentes razões subjetivas, pessoais, emocionais e psicológicas, em contextos criados pela família, por amigos, pela cultura e a sociedade. Uma vez consolidadas essas crenças, nós as defendemos, justificamos com uma profusão de razões intelectuais, argumentos convincentes e explicações racionais. Primeiro surgem as crenças e depois as explicações. O cérebro é uma máquina de crenças.
Historiadores de religião tem uma regra irônica para avaliar as referências históricas na bíblia. Quanto menos sentido tiver a referência, mais provável que ela seja verdadeira. Esta é uma das razões que tornam críveis os relatos bíblicos da história de um filho de Deus. Por toda a história os deuses haviam sido seres para quem se fazia sacrifícios. Os hebreus criaram um deus que não só exigia sacrifícios rituais mas que ele próprio fazia sacrifício. “Amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
Jesus não era descendente de Davi, não nasceu em Belém, sua mãe era uma moabita, pertencia a um clã fruto de uma relação incestuosa entre Lot e uma filha. Seus milagres eram explicitamente simbólicos. Quando Jesus curou um cego, disse; “Eu sou a luz do mundo”. Em João, Jesus transforma o milagre em espetáculo. Antes de ressuscitar Lázaro ele diz que a doença de Lázaro era para glorificar o filho de Deus. Quando cura um paralítico diz: “Vá e nada conte a ninguém”. Mesmo pregando a redenção conquistou poucos seguidores.
Usando o critério de dissimilaridade a crucificação de Cristo não passa no teste da inconveniência teológica. A crucificação é um sério problema de retórica. O Messias seria um Rei, a redenção viria através de castigo aos ímpios, um guerreiro com o dom da palavra e perder a vida não fazia parte das atribuições do Messias. Também a atitude de Jesus diante da própria morte. Se ele sabia ser filho de Deus e enviado ao mundo para morrer, acharíamos que ele aceitaria sua morte com gratidão ou pelo menos com certa resignação nobre. Afinal, sendo ele e o pai a mesma pessoa, sabia também que ressuscitaria no final do ato. No entanto, suas palavras em Marcos são: Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes?
Por mais que eu leio a bíblia, por mais que eu ouço pregações papais ou evangélicas ou qualquer coisa que o valha, não consigo acreditar nas pífias evidências. Será que o errado sou eu?...Então por que me foi dado a faculdade do discernimento?
Portanto, talvez a solução para atenuar a superstição e a crença no sobrenatural esteja em ensinar como a ciência funciona, e não apenas o que a ciência descobriu.
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...