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Mostrando postagens de março, 2014

O banco do meio

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Por  Marcos Abe O ano era 1955. A cidade chamava-se Montgomery, no Alabama, Estados Unidos. Lá vivia uma mulher temente a Deus. Ela tinha 42 anos, era negra e trabalhava como costureira numa loja de departamentos. Seu nome era Rosa Parks. Certo dia, saindo do trabalho, entrou no ônibus e foi direto para os bancos do fundo, onde os negros podiam se sentar. Mas os bancos do fundo estavam todos lotados. Ela encontrou lugar no meio do ônibus e sentou-se lá, onde também sentaram três outros negros. À medida que o ônibus foi fazendo seu trajeto, começou a lotar. Alguns brancos entraram e o motorista viu que não havia lugar para eles se sentarem. Então mandou que os negros acomodados nos bancos do meio dessem lugar aos brancos. Os três negros ao lado de Rosa obedeceram na hora. Mas ela permaneceu sentada. Fiquei intrigado com a atitude de Rosa. Será que, como boa crente, ela deveria ter fugido da confusão, mesmo sofrendo a injustiça? Teria ela desobedecido ao mandamento de...

Brasil: 1964

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Por que Jango foi deposto? Esse é uma questão fundamental quando pensamos no golpe de 64. Os motivos. E a resposta para essa questão encontra pouca unanimidade entre historiadores, políticos e intelectuais. A Folha de São Paulo reunião depoimentos de várias personalidades, desde Delfim Neto a Plínio de Arruda. Clique no link para ver esses depoimentos:  Folha  .  Eu, particularmente,  chego à conclusão que o evento foi tudo isso: revolução, golpe e contragolpe, já que foram momentos complexos que uma só palavra não os definiria a contento. Quero destacar algumas linhas do doutor em história Daniel Aarão Reis, autor de “ Ditadura militar, esquerdas e sociedade” , Zahar Editor, coleção Descobrindo o Brasil: “ Quase ninguém quer se identificar com a ditadura militar nos dias de hoje (...) até mesmo personalidades que se projetaram à sua sombra, e que devem a ela, a Sorte, o poder e a riqueza (...) para a grande maioria da sociedade, a ditadura e os d...

A Ilusão é a Mesma: Ontem, Hoje e Eternamente

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Mas uma vez estamos em ano eleitoral .  “Deus é brasileiro” ― diz o nosso ditado popular.  Ele sempre gosta de aparecer em épocas de campanhas eleitorais, na boca dos demagogos a prometer mundos e fundos que, na verdade, são meios para engordar as vacas dos seus cercados, e não têm nenhuma pitada do que se convencionou nos evangelhos como “amor ao próximo”. Isso vem de muito longe, vem de longas eras. Um, entre inúmeros  exemplos, é o caso de Adhemar de Barros ― político matreiro, ex-governador de São Paulo que concorreu à presidência da república em oposição a Jânio Quadros . Adhemar,  dizia o óbvio. E quanta verdade há nessa sua frase “cristã” que se tornou famosa no mundo inteiro: “Roubo, mas faço!” A astuciosa arte de fazer política e a aptidão para o auto-engano são irmãs siamesas: se nutrem da mesma seiva. Eles, os presidenciáveis, perante os eleitores se mostram convictos e obstinados a fazer pirotecnias com os suados impostos que pagamos. É ...

HISTÓRIAS DA BÍBLIA

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Por Lacerda A Bíblia conta histórias que até mesmo Deus duvida. Fugindo da fome, Abraão foi para o Egito com sua linda mulher Sara. Com medo de que os egípcios o matassem para ficar com ela, Abraão pediu-lhe: “Ouve, sei que és uma mulher bela. Quando os egípcios te virem, dirão “é a mulher dele”. E matar-me-ão, e a ti conservarão a vida. Dize, pois, que és minha irmã, peço-te, a fim de que eu seja bem tratado por causa de ti, e salve a minha vida graças a ti” (Gênesis 12, 13-14). Como Abraão previra, os egípcios notaram a beleza de Sara e foram elogiá-la na presença do Faraó. Acreditando que Sara fosse irmã de Abraão, o Faraó exigiu que ela fosse ao palácio. “Mercê dela, Abraão foi muito bem tratado, e recebeu ovelhas, bois, jumentos, servos e servas, jumentas e camelos” (Gênesis 12, 16). Para o Faraó dar tudo isso em troca de Sara, imaginem como ela era linda. Nem Rebeca – a mulher de Isaac, filho de Abraão – era tão bela quanto Sara. Mas, isto é outra história que ...

Racismo de Carnaval perdoado?!

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Embora o Congresso Nacional esteja às vésperas de aprovar uma nova lei sobre crimes raciais, prevendo penas mais duras ( Projeto n.º 6418/2005  do senador  Paulo Paim  do PT gaúcho), ainda se ouve durante esses dias de Carnaval, tanto nas ruas como nas casas, algumas marchinhas como  O teu cabelo não nega  cuja letra é altamente preconceituosa: "O teu cabelo não nega, mulata Porque és mulata na cor Mas como a cor não pega, mulata Mulata, eu quero o teu amor" É certo que estamos a falar de algo surgido há cerca de oito décadas atrás. Tal canção foi criada em 1929 pelos  Irmãos Valença , no Recife, com o título  Mulata . Tornou-se nacionalmente conhecida quando  Lamartine Babo  (1904 - 1963), após fazer algumas adaptações, lançou-a com o nome atual no Carnaval de 1932. Algo que chegou a causar uma peleja judicial. Não por causa do racismo, mas sim pelos direitos autorais. Tendo vencido a ação em todas as instâncias, os Irmãos Val...