quinta-feira, 20 de março de 2014

A Ilusão é a Mesma: Ontem, Hoje e Eternamente




Mas uma vez estamos em ano eleitoral.  “Deus é brasileiro” ― diz o nosso ditado popular.  Ele sempre gosta de aparecer em épocas de campanhas eleitorais, na boca dos demagogos a prometer mundos e fundos que, na verdade, são meios para engordar as vacas dos seus cercados, e não têm nenhuma pitada do que se convencionou nos evangelhos como “amor ao próximo”.

Isso vem de muito longe, vem de longas eras. Um, entre inúmeros  exemplos, é o caso de Adhemar de Barros ― político matreiro, ex-governador de São Paulo que concorreu à presidência da república em oposição a Jânio Quadros. Adhemar, dizia o óbvio. E quanta verdade há nessa sua frase “cristã” que se tornou famosa no mundo inteiro: “Roubo, mas faço!”

A astuciosa arte de fazer política e a aptidão para o auto-engano são irmãs siamesas: se nutrem da mesma seiva. Eles, os presidenciáveis, perante os eleitores se mostram convictos e obstinados a fazer pirotecnias com os suados impostos que pagamos. É que a nossa república é pintada ilusoriamente de “austera”, quando de austera não tem nada. Tudo é conversa fiada para embalar os ouvidos e empolgar a platéia.

Como tudo na vida é repetição, e para não ir longe, passemos a uma rápida análise de uma maquiagem do governo FHC que no reinado petista de “Lula-Dilma”, está sendo reprisada com contornos ainda mais extravagantes.

Não sei se o(a) leitor(a) está lembrado da expressão “estelionato eleitoral”, que foi brandida incessantemente pela oposição petista na época em que o regime tucano era mantido pela ilusão de um real bem forte, mantendo paridade com o dólar, que durou até a reeleição de FHC. O resultado do auto-engano foi que, de 1998 para 1999, o presidente tucano teve que usar medidas recessivas e amargas durante o seu segundo mandato.

Os petistas tinham lá suas razões em alardear o “estelionato eleitoral” de FHC, como tem razão a oposição de hoje (se é que existe), em dizer que está havendo uma grande maquiagem no governo Dilma. Mas isso, os petistas no poder sempre escondeu das massas. Elas, as massas, simplesmente são iludidas com um momentâneo congelamento de tarifas. Os pobres não sabem que estão bancando ou afiançando o Tesouro Nacional. Eles não sabem que pagam proporcionalmente mais impostos. Não sabem que estão ajudando as delícias (o banho quente) do chuveiro elétrico dos mais ricos.

Só não vê quem não quer: 2015 será, fatalmente, o ano do grande ajuste de contas ―, um repeteco (mais estridente) do que ocorreu no segundo governo de FHC. Mas como “Deus é brasileiro”, quem sabe, outras armações circenses surgirão do nada para anestesiar neurônios rebeldes? 

Viva o Rei e seus parceiros, e que os súditos permaneçam a ver as estrelas!

Plagiando Baudelaire: “Se o ator age e chora sem sentir, o expectador(eleitor) sente e chora sem agir”. 
                    

Site da Imagem: marcospsol.com.br


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