domingo, 23 de março de 2014

Brasil: 1964






Por que Jango foi deposto? Esse é uma questão fundamental quando pensamos no golpe de 64. Os motivos. E a resposta para essa questão encontra pouca unanimidade entre historiadores, políticos e intelectuais. A Folha de São Paulo reunião depoimentos de várias personalidades, desde Delfim Neto a Plínio de Arruda. Clique no link para ver esses depoimentos: Folha . 




Eu, particularmente,  chego à conclusão que o evento foi tudo isso: revolução, golpe e contragolpe, já que foram momentos complexos que uma só palavra não os definiria a contento. Quero destacar algumas linhas do doutor em história Daniel Aarão Reis, autor de “Ditadura militar, esquerdas e sociedade”, Zahar Editor, coleção Descobrindo o Brasil:

Quase ninguém quer se identificar com a ditadura militar nos dias de hoje (...) até mesmo personalidades que se projetaram à sua sombra, e que devem a ela, a Sorte, o poder e a riqueza (...) para a grande maioria da sociedade, a ditadura e os ditadores foram demonizados (...) sobre o período, de modo geral, a memória da sociedade tendeu a adquirir uma arquitetura simplificada: de um lado, a ditadura, um tempo de trevas, o predomínio da truculência, o reino da exceção. De outro, a nova república, livre, regida pela Lei, o reino da cidadania, a sociedade reencontrando-se com sua vocação democrática (...) Nessa reconstrução, as esquerdas frequentemente aparecem como vítimas (...) a rigor, a ditadura, sempre segundo essas versões, fora a grande responsável pela luta armada, redimensionada como uma reação desesperada à falta de alternativas (..) Muitos aspectos até agora referidos constituem lugares-comuns em uma certa memória sobre a ditadura e as esquerdas. Em tudo isso, sobressai uma tese: a sociedade brasileira viveu a ditadura como um pesadelo que é preciso exorcizar, ou seja, a sociedade não tem, e nunca teve, nada com a ditadura.”

Sobre o pós-anistia, ele diz:

“Afirmaram-se algumas interessantes (re) construções históricas, verdadeiros deslocamentos de sentido que se fixaram na memória nacional como verdades irrefutáveis, correspondentes a processos históricos objetivos, e não a versões consideradas apropriadas por seus autores. Um primeiro deslocamento de sentido, promovido pelos partidários da Anistia, apresentou as esquerdas revolucionárias como parte integrante da resistência democrática, uma espécie de braço armado dessa resistência. Apagou-se assim, a perspectiva ofensiva, revolucionária, que havia moldado aquelas esquerdas. E o fato de que elas não eram de modo nenhum apaixonadas pela democracia, francamente desprezada em seus textos. Os partidos da ditadura respondem à altura, retomando o discurso da polícia política e reconstruindo as ações armadas praticadas como uma autêntica guerra revolucionária, na qual as próprias esquerdas revolucionárias, em certo momento, acreditaram. Com base nessa tese (“se houve uma guerra, os dois lados devem ser considerados”), foi possível introduzir na Lei da Anistia dispositivos que garantiram a estranha figura da anistia recíproca, em que os torturadores foram anistiados com os torturados.  Finalmente, teria lugar uma terceira reconstrução: a sociedade se reconfigurou como tendo se oposto, sempre, e maciçamente, à ditadura. Apagou-se da memória o amplo movimento de massas que, através das Marchas da Família com Deus e pela Liberdade, legitimou socialmente a instauração da ditadura. Desapareceram as pontes e as cumplicidades tecidas entre a sociedade e a ditadura ao longo dos anos 70, e que, no limite, constituíram os fundamentos do próprio processo da abertura lenta, segura e gradual”.

* * * 

Feito essas observações que eu creio pertinentes, os confrades estão com a palavra. 1964: Por que Jango foi deposto? Jango pretendia dar um golpe de esquerda e se tornar um ditador tal qual seu padrinho político Getúlio Vargas? Havia uma real ameça comunista no Brasil? Estas perguntas podem ser o fio condutor do debate.



Entre as virtudes de Jango, uma das melhores foi ter legado ao país uma Primeira Dama lindíssima; beleza clássica e forte.





Links interessantes:

Entrevista com Tereza Goulart (por ocasião da exumação do corpo de Jango)
Segredos do túmulo de Jango - IstoÉ
Elio Gaspari blog Arquivos da Ditadura
Documentário da TV Brasil sobre o golpe que mostra o papel dos EUA no golpe (excelente)

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