segunda-feira, 9 de junho de 2014

Arrogância metafísica

Eu sou o centro do meu mundo pois sou o único autêntico eu metafísico. Ainda que eu esteja no centro do meu mundo subjetivo, acredito que existe um mundo objetivo totalmente indiferente e independente de mim. Uma vasta extensão de espaço e tempo daqual eu conheço apenas uma ínfima parcela. Este mundo objetivo estava aí antes do meu nascimento e continuará aí após minha morte. Acredito também, que este mundo objetivo não tem um centro, uma perspectiva intrínseca, como teria, por exemplo, se existisse um Deus. E é como um mundo sem centro que eu tento entendê-lo.
Todos nós somos sujeitos de um universo sem centro e a mera identidade humana, deística ou marciana deveria parecer-lhes arbitrária. Não estou dizendo que, individualmente, eu seja o sujeito do universo sem centro, apenas que sou um sujeito que pode ter uma concepção do universo sem centro no qual Deus é uma entidade insignificante para mim, que poderia nem mesmo ter existido. Descentralizando o universo cultivamos o medo da morte. Até mesmo o solipsista que acha que o mundo depende dele para existir, teme a morte. O medo da morte vai além da ideia de que o fluxo da vida continuará sem nós. Meu medo da morte tampouco diminuiria se eu achasse que após o ato eu iria para o céu. Tanto a minha morte quanto o meu nascimento é um acontecimento biológico e banal que já ocorreu bilhões de vezes com membros da minha espécie. No entanto, visto de dentro, a morte é um acontecimento insondável, o desaparecimento do meu mundo consciente e de tudo que ele contém. O fim do meu mundo subjetivo.

A perspectiva da morte é causa de perplexidade e temor, revela que não somos a origem da realidade que habitamos nem o centro do universo. Ela é apenas o último ato já que a vida nos diminui a cada dia de tal forma que quando a morte finalmente chega, leva apenas  um quarto ou metade do que, na juventude, fora um belo exemplar da espécie. A vida é uma viagem que transcende o nosso pensamento clássico, a destruição entre passado, presente e futuro. È apenas uma teimosa e persistente ilusão.
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