quinta-feira, 30 de julho de 2015

OBAMA NA ÁFRICA!






Por César Maia (*)

1. Barack Obama foi o primeiro Presidente norte-americano que discursou perante a União Africana, em Addis Ababa, no último dia da sua visita à África Oriental. Ele começou por se apresentar não só como um americano, mas também como um africano, contando que conheceu a história dos seus antepassados escravizados.

2. A partir dali, todo o seu discurso teve por base duas expressões: dignidade e trabalho conjunto - expressões que iniciaram, desenvolveram e terminaram a sua intervenção na sala Nelson Mandela.
Obama pediu ao Ocidente para deixar de olhar o continente africano de forma depreciativa, garantindo que se, em vez de ajuda financeira que torna África dependente, os países mais desenvolvidos ajudassem a desenvolver o comércio e a consequente criação de postos de trabalho, seria mais proveitoso tanto para África, quanto para a economia global.

3. Elogiou a organização pan-africana que o recebeu, assim como a Etiópia e todo o continente africano pelo seu rápido desenvolvimento. Mas também advertiu que muito trabalho ainda teria de ser feito para que a dignidade humana passe de utopia a realidade.
  
4. Barack Obama foi muito criticado por visitar um país acusado de restringir a liberdade de expressão. Além dos elogios que fez, o Presidente norte-americano acusou o Governo etíope de ter uma falsa democracia: “Vocês têm democracia no nome, mas não na consistência do país”. Disse ainda não compreender o fato de alguns líderes africanos “se negarem a deixar os postos”, referindo-se ao Presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza, que alterou recentemente a legislação para poder ficar mais tempo no poder.

5. “Quer dizer, eu adoro o meu trabalho. E até acho que sou bastante bom no que faço, e que se concorresse outra vez à presidência ganharia, mas a lei é a lei, e nem os presidentes estão acima da lei. Não percebo como é que as pessoas querem ficar no mesmo trabalho tanto tempo, ainda por cima se essas pessoas são muito ricas”, brincou.
  
6. Outra palavra muito utilizada por Barack Obama, especialmente no que toca à segurança, foi confiança. A luta contra o terrorismo, que afeta o continente africano “só poderá ser bem-sucedida se houver confiança entre todos os países”, disse. Além disto, Obama pediu o fim do “cancro da corrupção”, apelou à distribuição justa da economia, ao investimento na educação, à construção de hospitais e outras infraestruturas sociais, e terminou abordando a igualdade de género.

7. Condenou a mutilação genital feminina, os casamentos infantis, e todo tipo de violência contra as mulheres sem as quais “África nunca poderá desenvolver-se completamente”. “Esquecemo-nos que vimos todos da mesma tribo”, disse Obama, referindo-se ao esqueleto da mulher mais antiga do planeta - a australopiteco Lucy.

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(*) César Maia é cientista político e ex-prefeito da cidade do Rio de Janeiro

Imagem: Agência Lusa/EPA/Solan Kolli
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