quinta-feira, 5 de maio de 2016

Nem Cunha e nem Dilma, porém livre da gaiola da polarização




É muito difícil e, às vezes, bem caro ao ser humano tentar ser um livre pensador, sendo a incompreensão das pessoas um dos preços a se pagar por isso. Principalmente quando se vive num ambiente dividido entre dois polos opostos, quando faltam opções de escolha, a não ser este ou aquele lado.

Pode-se dizer que assim teria sido o Brasil na época da Guerra Fria sendo esta ainda a característica da Venezuela chavista. E, por pouco, o nosso país não caiu novamente em outra equivocada bipolarização desde quando o então presidente da Câmara dos Deputados, senhor Eduardo Cunha ,declarou sua guerra de poder contra Dilma Rousseff querendo o impeachment da mandatária.

O fato é que à grande maioria da população brasileira pouco interessam as brigas existentes entre os políticos. Ainda mais quando falta, além da ética, vagas de emprego, salários dignos, serviços de saúde adequados, mais educação para as nossas crianças, segurança nas cidades e produtos livres da corrosiva inflação que voltou. E aí como pode o cidadão comum tomar partido de uma disputa que não lhe pertence a ponto de vir se posicionar a favor de lideranças sem credibilidade que não representam verdadeiramente os anseios da coletividade?

Assim como a população pobre e humilde não está nas ruas nem para defender o mandato da presidenta ou pedir o seu impeachment, os livres pensadores têm um jeito próprio de ser. Não se orientam por necessidades tão imediatas, mas procuram construir uma visão independente da realidade, pouco se importando com o que dirão a respeito de suas ideias.

Procurando viver a utopia da liberdade de pensamento, tenho defendido propostas como novas eleições presidenciais e a adoção de um sistema parlamentar de governo para depois de 2018. Para muitos da esquerda defensora da Dilma, isso seria "golpismo" ao passo que, para os interesses imediatistas de mercado, basta a restauração da governabilidade para o cumprimento de uma agenda econômica específica, a qual Temer aparenta saber como conduzir.

Nesta semana que antecede a votação do Senado sobre o impeachment (ainda não decidirão a cassação de Dilma), acredito que o Brasil recebeu com satisfação a notícia sobre o afastamento de Cunha de seu mandato de deputado federal pelo Supremo. Por 11 a 0, o STF manteve na tarde de hoje a liminar concedida de manhã pelo ministro Teori Zavascki, atendendo a um requerimento do procurador Rodrigo Janot, o que considero muito positivo para os acontecimentos políticos não se distanciarem do ideal de imparcialidade.

Apesar dos fatos divulgados pelos jornais prenderem a nossa atenção como uma telenovela, considero os assuntos dessa crise como sendo de baixo grau de politização, sem o potencial de transformar efetivamente a sociedade brasileira e as suas instituições. A utilidade de Cunha e Dilma saírem seria mais por uma razão exemplar e também para desbaratar as atuais quadrilhas instaladas há anos no poder. Mas é evidente que o impeachment, por si só, será incapaz de eliminar as causas dos nossos principais problemas. Estes precisam ser amplamente discutidos e enfrentados através de uma organização autônoma das comunidades, lembrando que ninguém consegue avançar sem encarar a realidade tirando as máscaras.

Que venham novos tempos!


OBS: Ilustração acima extraída de uma página do Instituto Federal Rio Grande do Norte conforme consta em http://portal.ifrn.edu.br/campus/natalzonanorte/noticias/projeto-promove-nesta-quarta-debate-sobre-a-direita-e-a-esquerda-na-politica-nacional
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