sábado, 29 de janeiro de 2011

Construtores em construção


Por: Marcio Alves

Não podemos entregar a direção do rumo de nossas vidas existentes na existência do ser que é quando vai sendo formado e se formando pelas estradas da vida a deus num determinismo fatalista de quem não tem coragem de se assumir enquanto se é senhor de sua vida.

Embora seja a vida vivida em total liberdade mesmo quando não se escolhe quando se é simplesmente escolhido pelas incontáveis contingências da vida que se vai já sendo ela mesma como um fluxo de um rio que irá desembocar numa cachoeira de não escolhas.

A opção de ser e permitir ser enquanto vai sendo dia a pós dia construído na construção do destino de escolhas impedindo outras, pois seja na passividade da decisão da aceitação da sina do que se é, ou pela atividade do sujeito que procura ser na transformação do que deseja vir a se tornar, pois a grande questão existencial não é o que a vida te levou a ser pelos caminhos impulsionadores da imprevisibilidade do existir, mas antes o que fazemos com o que a vida nos fez, seja para bem ou para mal.

A grande alienação nasce no sujeito que não tem coragem de assumir sua condição e principalmente responsabilidade de que tudo que acontece tem sua indireta ou direta participação, pois por pior que seja os caminhos da trilha do viver sempre se tem uma escolha em que optamos de ser, seja de não mais lutar entregando se ao destino num determinismo fatalista de o que será será e não há nada para mudar, ou pra tomar as rédeas do controle da vida para ser o comandante de uma embarcação em um mar seja tranqüilo ou bravio.

Temos o poder de construir a nossa historia e mundo enquanto vamos conseqüentemente construindo a nós mesmos. Somos o reflexo de nós em nossas historias mesmo que ainda esteja inacabada, nos restando muito pela frente, então assim sendo não mais joguemos para deus ou para a vida a responsabilidade que é nossa de dever vir a ser ou de não ser mesmo que não consigamos e acabamos no final da linha não se sendo.

O futuro será mesmo não se sendo apenas o resultado de nossas escolhas no presente, o que fizermos agora e aqui nos servirá de ponte para o amanhã, não podendo ser jogado a sorte o que nós devemos e podemos fazer, mesmo nas contingências da imprevisibilidade não deixamos de ser sujeitos da historia e não apenas mero expectadores num palco já montado sendo coadjuvantes, mas antes atores que determinarão o final de uma historia que ainda permanece e continuará a estar em aberto.

sábado, 22 de janeiro de 2011

A Regra de Ouro em meio ao caos ambiental


"Não faças aos outros o que não queres que te façam." (bShab 31a)

É impressionante como uma só frase é capaz de resumir os 40 dias em que Moisés ficou na montanha! Quem disse isto não fui eu, mas sim o ancião Hillel, quando um gentio, desejando ser recebido no judaísmo, pediu ao rabi um curso sobre a Torah. Na ocasião, o impaciente prosélito recebeu como resposta do mestre que a frase acima resumia toda a Lei.

Por aquele mesmo tempo, Filo de Alexandria, um filósofo judeu contemporâneo de Hillel, semelhantemente ensinou que "aquilo que alguém não quer sofrer, não deve fazer a outros" (Hipotética 7.6).

Ambos os sábios estavam falando sobre a Regra de Ouro, muito conhecida por pensadores gregos e judeus desde a Antiguidade e que havia sido formulada há vários séculos antes de Hillel, fazendo-se presente em diversas religiões da atualidade (judaísmo, cristianismo, budismo, taoísmo, islamismo, etc).

Pode-se afirmar que, além dos gregos e judeus, o filósofo chinês Confúcio (551 - 479 a.C.), teria formulado-a em seus dias da seguinte maneira: "O que você não quer que lhe façam, não o faça aos demais". E, curiosamente, as tradições dos nossos índios já orientavam os membros da tribo desta forma: "Não queira desfazer do seu vizinho, pois assim como você procura ter bom tratamento, dê o mesmo aos outros".

Em contato com o pensamento judaico e, na certa, manejando intencionalmente as palavras do ancestral Hillel, Jesus também fez aplicação da Regra de Ouro conforme se lê no conhecido Sermão da Montanha do Evangelho de Mateus:

"Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas". (7.12; Nova Versão Internacional - NVI)

Ou, mais resumidamente, também aparece em Lucas:

"Como vocês querem que os outros lhes façam, façam também vocês a eles". (6.31; NVI)

Indubitavelmente Jesus inovou em relação a todos os pensamentos anteriores a ele, fazendo uso de uma incomparável formulação positiva, melhorando o viés negativo. Assim, segundo o Mestre dos mestres, aquilo que quero que seja feito para mim, devo fazer também para o outro, incentivando a prática de uma conduta capaz de envolver uma certa dose de criatividade, reflexão, entusiasmo pela vida e carinho pelo próximo.

Pensando no momento histórico em que viveram Jesus e Hillel, fico a indagar quão preciosas foram as pérolas que aqueles profundos pensadores apresentaram ao massacrado povo judeu. Em meio ao caos político da Judeia sob o opressor domínio romano, com inúmeras injustiças e parte da população passando fome, eis que à primeira vista parece difícil haver assimilação de um ensino tão nobre por pessoas extremamente necessitadas. Contudo, os humildes pescadores da Galileia, que seguiam o Messias Jesus pelas poeirentas estradas da Palestina, absorveram o sentido da mensagem melhor do que muitos ricos e poderosos habitantes dos palácios.

Nos dias de hoje em que a humanidade vive em meio a um caos político, econômico, social, familiar, ambiental e até religioso, a Regra de Ouro de Jesus torna-se a receita adequada para que possamos conviver melhor, promovendo a paz e garantindo a sobrevivência das futuras gerações. Seu ensino não se limita apenas à abstenção de praticar algo ruim para o outro, mas inclui uma atitude construtiva, algo comparável a um talentoso artista capaz de dar desenhos e cores a uma tela vazia.


Recentemente minha cidade de Nova Friburgo, situada na Região Serrana do Rio de Janeiro, foi alvo de uma catástrofe climática jamais vista em toda a sua história. Centenas de pessoas morreram e milhares encontram-se desabrigadas ou desalojadas. Jornais do país inteiro não páram de noticiar o ocorrido todos os dias juntamente com enchentes de outros lugares. Por todo lado ainda se vê rastros de uma tragédia que foi causada basicamente por dois fatores: as construções irregulares em locais impróprios e o aquecimento global.

De acordo com os cientistas, as condições do nosso planeta tendem a piorar cada vez mais nos próximos anos. Catástrofes climáticas como a que se viu este ano na Região Serrana do Rio de Janeiro, em Santa Catarina (2009) ou em Nova Orleans, durante a passagem do Catrina (2005), só tendem a se repetir e cada vez com maior intensidade. Por causa de sua ganância e recusa em deixar de emitir os gases do efeito estufa, o homem está destruindo a única casa que tem para morar, deixando um futuro incerto para as futuras gerações.

É neste contexto que ética e ecologia se encontram, confirmando o ensino do ex-frei Leonardo Boff, autor de dezenas de livros, dentre os quais "A Ética da Vida e Saber Cuidar". Numa entrevista dada à Construir Notícias, Boff responde que:


"A ética surge quando o outro emerge diante de nós. Que atitude tomar diante do outro? Não podemos ficar indiferentes. Mesmo o silêncio é uma atitude. Podemos acolher o outro, podemos rejeitá-lo, subordiná-lo e até agredi-lo e eliminá-lo. Essas atitudes configuram a ética. Ela será benfazeja quando faz do distante um próximo e do próximo um aliado e um irmão e irmã. Nesta perspectiva, bom é tudo aquilo que aproxima as pessoas ou que corresponde de forma benfazeja às realidades circunstantes; bom é tudo o que cuida e expande a vida em todas as suas formas; mau é tudo o que ameaça, diminui e destrói a vida. A regra de ouro da ética quando confrontada com o outro é: 'faça ao outro o que você quer que lhe façam a você'. Hoje pesa sobre a humanidade e o sistema da vida o pesadelo da depredação e até da destruição da vida e do projeto planetário humano. Somos todos vítimas de práticas que exploram pessoas, classes, paises, ecossistemas e o sistema Terra. São éticas anti-vida. Em razão disso, faz-se urgente uma ética salvadora e benfazeja que garanta a vida e o futuro do Planeta. Sem ética e uma cultura de valores espirituais que a acompanham não afastaremos o pesadelo e o encontro com o pior. Precisamos de uma ética mínima fundada do cuidado de uns para com os outros, com a vida e o Planeta, uma ética da cooperação e da solidariedade de todos com todos pois somos interdependentes e só podemos viver e sobreviver juntos, uma ética da responsabilidade que toma consciência das conseqüências benéficas ou maléficas de nossas práticas e uma ética da compaixão que se mostra sensível para quem menos tem e menos é, para que não se sinta excluído mas inserido na comunidade de vida." (extraído de http://www.construirnoticias.com.br/asp/materia.asp?id=488)


Enquanto muitas das vezes a mídia expõe os moradores das áreas de risco nas encostas dos morros como os responsáveis pelos desabamentos das tragédias das chuvas, as autoridades brasileiras terceiro-mundistas culpam a fúria da natureza. Porém, o que se vê claramente neste país é uma ausência de políticas habitacionais eficientes e que sejam capazes de respeitar o basilar direito à moradia previsto na nossa Constituição Federal.

Ora, tudo isto aponta para a necessidade da ética e não somente para a satisfação imediata de necessidades. Isto porque chegamos a uma crise mundial sem precedentes, em que a sobrevivência do planeta parece estar por um fio, sendo que a humanidade precisa urgentemente colocar em prática uma ecologia capaz de não apenas salvar as baleias ou o mico-leão-dourado da extinção, mas sim incluir socialmente todas as pessoas, oferecendo condições dignas de subsistência, saúde e também educação de qualidade. Só que nada disso se alcança sem trabalhar também os valores espirituais do ser humano.

Inteligentemente Jesus não formulou sua Regra de Ouro do nada. O Mestre, ao dar um novo sentido à frase de Hillel, buscou na Torah (creio que em Levítico 19.18) o fundamento daquilo que disse. Ou seja, o amor ao próximo que assim foi ensinado por Moisés aos israelitas no deserto:

"Não procurem vingança, nem guardem rancor contra alguém do seu povo, mas ame cada um o seu próximo como a si mesmo. Eu sou o SENHOR." (NVI)

Pode-se dizer que, nos dias de hoje, o amor já não pode mais ser considerado como uma virtude de um homem piedoso, mas sim de uma necessidade. E, deste modo, mais do que décadas atrás, tornam-se proféticas as palavras do poeta anglo-americano Auden:

"Amem-se uns aos outros, ou pereçam"!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Tropa de Elite Gospel

Bem, como faz tempo que só discutimos temas densos, complexos, psicanalíticos, ateísticos e teísticos, que tal uma paradinha para um pouco de humor gospel??







Deixo um convite ao pessoal da NpC: venham discutir bíblia durante uma semana aqui na confraria, se vocês continuarem crendo nela vocês estão preparados realmente para a missão...kkkkkkkkkkk




* * * * * * 
fonte: http://www.youtube.com/watch?v=P-3Hsoa7n2g

domingo, 16 de janeiro de 2011

Minhas Inseguranças Meus Demônios Na Calada da Noite – Confissões do ex-Endemoninhado Gadareno

Agora são 02h05min da manhã e não me surpreendo de estar acordado.

Se fosse assim há um ano eu não teria sido surpreendido por minhas ações. Apanhado desprevenido, ou até mesmo envergonhado de mim mesmo. Eu não ligava para o que pensavam ou falavam de você... Mesmo que prendessem meus pés e minhas mãos, eu arrebentaria.

Meus demônios eram a céu aberto. Nos sepulcros. Sem mascaras, sem roupas e sem casa. Para que todos pudessem ver. Eu tinha vergonha, sentia ciúmes e era pegajoso. E tudo isso era por causa de você, cuja única esperança de tê-la eternamente era controlando os seus atos.

Eu estava inseguro. Em algum ponto da nossa relação, de alguma maneira eu não controlava as emoções e isso me machucava. Sabia que eu nunca seria forte o suficiente para ir embora da sua vida. Não era simples me livrar de você, tentei várias vezes e depois de numerosas tentativas falhadas, descobri que o mundo desmoronou em mim.

Incrível é..., como você resistia...

Você veio. E mesmo eu, no controle da situação, achei mais fácil mascarar o medo do abandono, o medo da rejeição e o medo de não ser bom o bastante para você.

Como eu poderia deixar você saber que eu estava machucado? Que meu coração estava tão desmantelado, antes de me conhecer ou do frio na barriga que sentia por você, que era tão estranho para mim. Nós meses anteriores, não te conhecia, na verdade, eu nem reconhecia o meu próprio sorriso. E agora tudo está reconhecível e mesmo assim os demônios permanecem comigo.

Eu escondia meus demônios de você. Para você, eu ainda valia alguma coisa. Eu era bonito, e não um gordo. Sincero, e não um mentiroso. Encantador, e não um antipático. Eu estava feliz, talvez um pouco louco, pois oscilava ligeiramente o meu temperamento, mas eu estava apaixonado.

Não é dramático...

Mesmo os momentos em que mal pronunciava alguma coisa, se transformavam em momentos íntimos memoráveis em que eu me esforçava em ser adorável e não tão estúpido. E mesmo sabendo do problema geográfico entre nós, em eu querer ser seu mundo e você apenas querer me abraçar... Eu era freqüentemente atormentado pelos demônios interiores.

Neste dia, ou noite, não sei... Já são 03h37min, eu continuo com os olhos abertos. Tudo isso porque o meu amor por ti ainda está além da minha compreensão.


Este ano... Meus demônios ficaram entorpecidos. Sem o meu conhecimento, eles vinham se fortalecendo, e eu sentia isso o tempo todo. Como eu poderia ter sabido que você tentava fazer-me sentir como o garoto mais sortudo do mundo, tão especial e feliz... Eu era cego, e aqui bem no fundo ainda me sentia inseguro.

Eu não gosto de relacionamentos que durem momentos, pelo menos não é do tipo que me dá certa segurança. E por falta de segurança, os demônios invadiram, se apropriaram, subjugaram, dominaram, escravizaram, controlaram, aprisionaram a minha mente e o meu corpo, fazendo com que eu perdesse a capacidade, cognitiva, emotiva, sensitiva, perceptiva e psicomotora.

Nada estava normal, percebia que a cada dia que passava eu sentia mais a sua falta e menos daquelas pessoas que diziam: “Oh, agora dói, mas em um mês, você não vai nem sentir" ou "você vai encontrar alguém novo, em algum momento da vida".

Eles deveriam saber que você é a única que posso contar de verdade. E a verdade é que não esta sendo fácil ver você entre as suas amigas. Não são as reuniões entre vocês, que além de afastar-me de ti, me deixa inseguro. Mas o que me deixa inseguro é esses rapazes que transformam em formigas para querer medir o nível de açúcar que está em seu corpo. Todos querem ter você por perto. E agora, como você quer que eu me considere... Apenas um amigo! Não poderei fazer nada mais do que sentar, e manter-se tranqüilo e torcer para que eles não sejam mais encantadores do que eu.

Recentemente, a minha inveja veio à tona. Mais forte do que antes, eu não consegui controlar a emoção. É atacou-me várias vezes, atravessando as linhas do fuso apaixonante e transpassando os limites da psique. Mesmo assim, você me achava atraente, deixando o meu ego possessivo injustificado.

Conforme os dias passavam, minhas inseguranças e autodúvida continuavam a expor-se sob a forma de pesados suspiros, agarrando-me e deixando-me sem controle sobre meus pensamentos, palavras ou lágrimas.

Ontem, de manhã, já era de se esperar, cheguei ao mais baixo nível.

Quanta avaria sentia o meu coração. Travou o funcionamento interno da minha mente confusa. Eu chorei um monte. E agora decidi revelar todas as minhas inseguranças, os meus medos, os demônios. Simplesmente aconteceram, todos os meus sentimentos afloraram. Eu tentei manter escondido de você por muito tempo, mas agora escapou, na sua frente foi em forma de choro silencioso, por traz de você foi manifestado em revolta.

Tão revoltado fiquei, que andei nos sepulcros, noite e dia, cortando-me com as pedras que via no chão. Nem as melodias da harpa de Davi era capaz de acalmar os meus demônios, fiquei violento de tal maneira que ninguém conseguia me segurar. Você viu tudo, eu não queria e você sabia disso. Mas eu não poderia enganar você.

Certo Mestre veio em minha direção e ordenou para que meus demônios saíssem. Mais eles resistiam, voltavam e se apoderavam novamente de mim. Foi quando um dos meus demônios disse: “Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me atormentes! Será que eu estava tão ligado assim... pior que eu estava, pois eram Legiões. O Mestre olhando os meus demônios decidiu que não iriam mandar eles para o abismo e sim para uma manada, ao irem, eu me senti liberto e a manada se atirou do precipício.

Ao ser liberto, eu não conseguia parar de chorar. As lágrimas continuaram simplesmente a correr e quando eu disse “obrigado”, elas jorravam como cachoeiras deslizando pelo meu rosto. Nem 10 minutos se passaram... Para me sentir bem. Senti o vento tocar as gotas do meu rosto, o cheiro de mar e de terra molhada. Admirei o azul do céu, o verde das árvores, o colorido das flores e você. Fui vestido, sentei-me e decidi vomitar as palavras no Mestre... Joguei para fora todas as minhas inseguranças. Você me viu ao longe e talvez pensasse que eu só estaria um pouco louco. Mas compreendeu que eu fazendo dessa forma as dores que sentia iriam sumir gradativamente.

O mestre atentamente me escutou, eu expressei o meu desejo de segui-lo, mais ele falou que seria melhor eu ficar com a minha família e relatar o livramento dos meus demônios ao povo de Decápolis. Foi o que eu fiz, e todos se maravilharam. Mais algo estava errado, mais uma vez, eu estou sentido medo de ti perder, é sinto me consumindo por dentro. Concluo neste exato momento, que eles não desaparecem assim tão facilmente, e eu não sou mais ingênuo o suficiente para acreditar que eles podem desaparecer por completo. Mas quando olho para você, definitivamente me sinto um pouco mais normal do que talvez eu realmente seja...

No ano passado nós amamos e rimos, cantamos músicas bobas e falamos da época de criança. Choramos e gritamos. Dissemos algumas coisas dolorosas um ao outro. Eu fui teimoso, às vezes. Você foi egoísta de tal forma altruísta, fomos completos idiotas em alguns momentos. Confessávamos das perseguições, dos tempos ruins, das reincidências e sentenças, entre muitos outros obstáculos e segredos insanos.

Você esteve lá, do meu lado, para me ajudar em muitos aspectos e só espero ter retribuído esse carinho a altura. O ano passado tivemos ocasiões altas e baixas, mas ainda estávamos juntos, e de alguma forma conseguíamos formar uma amizade honesta, verdadeira e respeitosa para com o outro. Você se tornou minha melhor amiga, minha amante, a mulher dos meus sonhos.

Enquanto minhas inseguranças aparecem por dentro de mim mantendo-me por certo tempo acordado até a madrugada chegar, às vezes elas deixam-me sentindo acusado ou agravado parecendo que os demônios surgirão com mais força. Só sei que a cada “abraço” seu, me sinto confortável e me torno normal, pois seu coração bate no mesmo ritmo do meu♥.

4h25min.

O Gadareno (Sem nome, sem uma origem familiar definida)

(Uma História de Ficção)
Referencia: Mt 8.28-34; Mc 5.1-20; Lc 8.26-39; 26 Navegaram para a região dos gerasenos, que fica do outro lado do lago, frente à Galiléia. 27 Quando Jesus pisou em terra, foi ao encontro dele um endemoninhado daquela cidade. Fazia muito tempo que aquele homem não usava roupas, nem vivia em casa alguma, mas nos sepulcros. 28 Quando viu Jesus, gritou, prostrou-se aos seus pés e disse em alta voz: “Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes!” 29 Pois Jesus havia ordenado que o espírito imundo saísse daquele homem. Muitas vezes ele tinha se apoderado dele. Mesmo com os pés e as mãos acorrentados e entregue aos cuidados de guardas, quebrava as correntes, e era levado pelo demônio a lugares solitários...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O Sentido da Vida



Qual o verdadeiro SENTIDO da VIDA?!

Esta pergunta é tão comum, que já nem causa mais estranhamento naquele que a ouve. E numa praticidade, encontra-se de imediato a resposta que define um provável sentido para a vida.

Se observamos a pergunta, percebemos o quanto ela é OBJETIVA. O que nos permite perceber que quando pergunta-se “Qual o SENTIDO da VIDA?!”... não é o mesmo que estivessem nos perguntando “Qual o SENTIDO da SUA VIDA?!”.
É preciso focar, que estamos à procura de saber o verdadeiro sentido da vida em si, e não o sentido da vida para você, para mim ou para ele!!

Mas é muito prático e comum encontrarmos sempre o sentido da vida para nós e não o sentido da vida em si, pois somos nós quem vivemos a vida, e somos nós quem podemos detalhá-la.

Para o filósofo Friedrich Tiedemann, buscar o SENTIDO DA VIDA é o mesmo que buscar a “interpretação do relacionamento entre o SER HUMANO e SEU MUNDO".
Jesus foi ao cerne da questão ao dizer: "Eu sou... a vida" (João 14.6).
Porque depois disso, o apóstolo Paulo disse sobre o SENTIDO da SUA VIDA: "Porquanto, para mim o viver é Cristo" (Filipenses 1.21).
O filósofo Heráclito de Éfeso dizia que o SENTIDO da VIDA consiste na verdadeira felicidade, e destacou: "Se a felicidade estivesse nos prazeres do corpo, diríamos felizes os bois, quando encontram ervilhas para comer".
Ao dizer isto, ele nos lembrou perfeitamente que os bois vivem o atual momento (presente), e para eles não existe o (passado) e nem o (futuro), como na mente humana.

Já para o filósofo Aristóteles, a “verdadeira felicidade só seria alcançável num estado de indiferença sobre tudo aquilo que nos rodeia”.
Pois ele afirmava que só a indiferença pelas coisas que nos rodeia, privilegiando-nos com uma vida livre de qualquer tipo de sensação e/ou emoção, é que poderá nos indicar a verdadeira felicidade.

E para Epicuro de Samos, o SENTIDO da VIDA arraigou-se, não na busca e no alcance da verdadeira felicidade, mas na satisfação de desejos e prazeres.
Epicuro destacou: “O prazer é a ausência de dor”.

Na antiguidade, os filósofos tentaram de toda forma encontrar a resposta para o verdadeiro SENTIDO DA VIDA, mas como podemos perceber, esta pergunta se estende a tal ponto, que a sua resposta passa a variar de pessoa para pessoa, de experiências para experiências... pois esta pergunta não parece possuir uma única resposta, mas uma miríade de respostas, permitindo-se assim, provar para o SER HUMANO que o chão da sua existência é indecifrável.

Será que o sentido da vida está em sabermos que a mesma é limitada pela morte?!

E se imaginarmos que ela não terminará, como indica a palavra: “E esta é a promessa que Ele nos fez: a vida eterna”. (1 João 2:25).

Seria este o novo sentido para a vida?!

Para um feto que está sendo gerado ainda no ventre de sua mãe, existe um SENTIDO de VIDA para ele?!

É surpreendente vermos como o nascimento de um filho dá SENTIDO à vida de seus pais. E que um casamento insere SENTIDO na vida de um casal que se ama. E que uma invejável promoção em uma empresa dá SENTIDO para a vida de um funcionário...

Para alguns o SENTIDO da VIDA está na amizade, para outros está em andar de carro novo, para outros encher uma biblioteca de livros, para outros namorar...etc..eticétera....

Por que indagamos e não aceitamos que um cristão tenha encontrado em sua fé, o SENTIDO da SUA VIDA em Deus?!

Por que não aceitamos que um ateu tenha encontrado SENTIDO em SUA VIDA, sem precisar e acreditar que existe Deus?!


Seríamos capazes de explicar qual o verdadeiro SENTIDO da VIDA?! Ou simplesmente tentamos explicar e não conseguimos encontrar argumentos, porque vivemos em busca de um verdadeiro SENTIDO para as nossas VIDAS?!


"O SENTIDO da VIDA depende de nós.....talvez, para uma grande maioria, ele nem exista mais...ou simplesmente nunca existiu..". (PAULINHA)



PAULINHA

domingo, 9 de janeiro de 2011

Os Ateus e o Natal

O ano começou na Confraria. Depois de alguns pequenos ajustes estamos com todo gás para trazer textos e discussões pertinentes sobre Deus, religião,  espiritualidade,  filosofia,  psicanálise,  teologia e é claro, sobre a vida! Sim, pois a vida que não é refletida, pensada, questionada, construída, não vale a pena ser vivida! 

Quero postar um texto bem interessante que o amigo Carlos que é ateu, publicou em seu blog por ocasião do natal.

* * * * * 

Nas confraternizações de natal em que um cético se faz presente, há um tema em constante debate: Afinal, o que fazem os ateus diante de comemorações de cunho religioso como o natal? Como se sentem? O que pensam dos "pobres coitados" crentes que se reúnem para comemorar algo que ele considera uma fábula infantil?

Essa linha de pensamento, muito comum entre os teístas, na verdade, só faz evidente a forma como o ateísmo é popularmente encarado. Para quem não costuma refletir a respeito, o ateísmo é um movimento social adversário à igreja e oriundo de alguém que se julga mais inteligente e considera infantis as crenças dos demais. Ora, não se pode condená-los, afinal, muitas iniciativas ateístas dão exatamente isto a entender. 

O fato, porém, é que o ateísmo puro e simples não representa nada disso. O ateísmo é um ponto de vista filosófico que muitos insistem em confundir com alguma espécie de partido político. É fato que há sim, movimentos sociais ateus, mas não se pode confundir as idéias destes movimentos sociais com a idéia do ateísmo em si. Ninguém deve sentir-se melhor ou pior do que os demais por fazer parte deste ou daquele grupo. Julgar-se melhor que os outros por ser ateu é tão insensato quanto julgar-se melhor que os outros por acreditar em Deus. 

O ateu pode ser ateu e pode ser cético, mas está inserido em uma sociedade mergulhada na cultura religiosa, nas crenças e na espiritualidade. Mais do que isto, por vezes o ateu fez parte dessa cultura por boa parte de sua vida. Deve o ateu ser obrigado a esquecer as boas lembranças que teve em natais passados? Deve ele pedir apostasia? Deve ele negar-se a receber quaisquer presentes no natal para não ser considerado hipócrita? Deve ele abster-se de desejar boas festas ou um feliz natal à alguém querido? Deve ele fingir que não conhece mais o padre ou o pastor? Quem realmente acha que a resposta à estas perguntas é "sim", comete uma séria confusão conceitual amplamente conhecida como preconceito.

Com isto em mente, sou capaz de apostar que, embora haja certos militantes de movimentos sociais que podem abster-se de participar das confraternizações ou até comparecem mas não perdem a oportunidade de criticá-las, o que não deixa de ser direito deles, a maioria dos ateus encara o natal da mesma forma que a maioria dos que não são ateus: Uma oportunidade para reunir a família, trocar presentes, fazer boas ações e preparar-se para o ano novo que virá, esquecendo-se completamente da doutrina religiosa por trás da comemoração.

Boas Festas!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Menor Abandonado


Por Levi B.Santos


Não sei se em Abril
Comemoras os teus dois anos de existência.
Lembra-te? Nasceste no meio de eletrizantes pensadores
Foste alimentado do bom e do melhor.
Ao dar os teus primeiros passos
Foste intensamente aplaudido e paparicado
Como eras tão bem cuidado!
Tão bem nutrido no físico e no espírito!

Quem te viu e quem te vê agora
Não mais te reconhece.
Estás desnutrido e debilitado. Tão raquítico.
Se me perguntarem por que te abandonaram
Só sei dizer de mim.
Dos que antes te seguravam nos trôpegos primeiros passos,
Restam poucos, te alimentando com textos
Que saem da alma deles para a tua.

Ah, não posso negar!
A seiva que te alimenta os vasos tem sido pouca.
Mas não estás tão só e abandonado.
Cento e sessenta e cinco leitores cativos te acompanham.
Ficarás pasmo com o que eu vou te dizer, agora:
Nos dois últimos meses
Nunca cresceste tanto em números de seguidores.
Apesar dos pesares...

Consola-te!
Lembra-te de Um que disse: “onde estiverem dois ou três,
Eu estarei no meio deles...”.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Somos todos cristãos

Em 27 de dezembro de 2006, o jornalista Reinaldo Azevedo escreveu um texto para a revista Veja com esse título. Quero destacar algum pontos deste texto por achar que pode nos servir de reflexões para todos nós.


* * * * 


"Cristo é e seguirá sendo a principal referência do que reconhecemos no Ocidente como a 'nossa cultura'. Católicos, protestantes, judeus, islâmicos, budistas, espíritas, agnósticos, ateus - não importa. Comungamos de um patrimônio que entendemos como ideal de civilização e de justiça".


[ sobre o cristianismo] "combatido, submetido ao obscurantismo politicamente correto e tornado como inimigo das minorias multiculturalistas - tão mais barulhentas quanto mais minoritárias -, o cristianismo, não obstante, guarda as chaves do humanismo moderno e da democracia e constitui o que o homem tem produzido de melhor em pluralismo, tolerância e, creiam!, avanços científicos."


"O sociólogo americano Rodney Stark sustenta que uma das raízes da expansão cristã é a caridade - elevada por Paulo à condição de primeira virtude. E a outra são as mulheres. Por volta do ano 200, havia em Roma 131 homens para cada 100 mulheres e 140 para cada 100 na Itália, Ásia Menor e África. O infanticídio de menias - porque meninas - e de meninos com deficiências era "moralmente aceitável e praticado em todas as classes". Cristo e o cristianismo santificaram o corpo, fizeram-no bendito, porque morada da alma, cuja mortalidade já havia sido declarada pelos gregos. Cristo inventou o ser humano intransitivo, que não depende de nenhuma condição ou qualidade para integrar a irmandade universal. As mulheres, por razões até muito práticas, gostaram."


"No casamento cristão valorizava-se a unidade  da família pela proibição do divórcio, do incesto, da infidelidade conjugal, da poligamia e do aborto, a principal causa, então, da morte de mulheres em idade fértil. A pauta do feminismo radical se volta hoje contra as interdições cristãs que ajudaram a formar a família, a propagar a fé e a proteger as mulheres da morte e da sujeição."


"Embora a cultura helênica, grega, matriz espiritual do Império Romano, tenha sido fundamental na extensão do cristianismo, o mundo estava diante de uma nova moral. Quando Constantino assina o Édito de Milão, a religião dos doze apóstolos já somava 6 milhões de pessoas."


"Stark demonstra ser equivocada a tese de que aquela era uma religião apenas de humildes. O 'Cristianismo proletário' serve ao proselitismo, mas não à verdade. A nova doutrina logo ganhou adeptos entre as classes educadas. Provam-no os primeiros textos escritos por cristãos, com claro domínio da especulação filosófica. Mas não só. Se o cristianismo era uma religião era uma religião talhada para os escravos, Stark prova que o novo credo trazia uma resposta à grande questão filosófica posta até então: a vitória sobre a morte.


* * * * * * * * * * 


A partir daí ele destaca o grande acontecimento da nova religião: a conversão de Paulo. Foi em Antioquia, na Síria, que uma comunidade, pela primeira vez, designou-se "cristã", justamente os convertidos de origem pagã. E é dali que o cristianismo se espalhou pelo mundo helênico, então romanizado. O cristianismo deixava de ser uma religião de um povo só (judeus), para se tornar universal.


O resultado da teologia paulina se manifestava na realidade da vida prática. Paulo pregava a ressurreição dos mortos e a parusia(segunda vinda de Cristo). Mas o que fazer até lá?


Em 2 Tessalonicenses ele aconselha: "não comemos de graça o pão, mas com nosso trabalho e fadiga(...)se alguém não quer trabalhar, não coma". E num outro conhecido texto ele diz: "Se eu falar a língua dos homens e dos anjos e não tiver caridade, sou como o metal que soa(...).


Mas o cristianismo não é só espera. Atualmente, os protestantes históricos e os católicos tendem a considerar que o acontecimento escatológico, finalista, de certo modo, já aconteceu. A luta final do Bem contra o Mal perdeu seu acento místico e seu caráter temporal para ser uma espera simbólica. Esse Cristo laicizado está prenunciado no próprio Paulo. Como demonstra Stark, o cristianismo se consolida nas cidades grego-romanas como religião da solidariedade.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...