domingo, 9 de janeiro de 2011

Os Ateus e o Natal

O ano começou na Confraria. Depois de alguns pequenos ajustes estamos com todo gás para trazer textos e discussões pertinentes sobre Deus, religião,  espiritualidade,  filosofia,  psicanálise,  teologia e é claro, sobre a vida! Sim, pois a vida que não é refletida, pensada, questionada, construída, não vale a pena ser vivida! 

Quero postar um texto bem interessante que o amigo Carlos que é ateu, publicou em seu blog por ocasião do natal.

* * * * * 

Nas confraternizações de natal em que um cético se faz presente, há um tema em constante debate: Afinal, o que fazem os ateus diante de comemorações de cunho religioso como o natal? Como se sentem? O que pensam dos "pobres coitados" crentes que se reúnem para comemorar algo que ele considera uma fábula infantil?

Essa linha de pensamento, muito comum entre os teístas, na verdade, só faz evidente a forma como o ateísmo é popularmente encarado. Para quem não costuma refletir a respeito, o ateísmo é um movimento social adversário à igreja e oriundo de alguém que se julga mais inteligente e considera infantis as crenças dos demais. Ora, não se pode condená-los, afinal, muitas iniciativas ateístas dão exatamente isto a entender. 

O fato, porém, é que o ateísmo puro e simples não representa nada disso. O ateísmo é um ponto de vista filosófico que muitos insistem em confundir com alguma espécie de partido político. É fato que há sim, movimentos sociais ateus, mas não se pode confundir as idéias destes movimentos sociais com a idéia do ateísmo em si. Ninguém deve sentir-se melhor ou pior do que os demais por fazer parte deste ou daquele grupo. Julgar-se melhor que os outros por ser ateu é tão insensato quanto julgar-se melhor que os outros por acreditar em Deus. 

O ateu pode ser ateu e pode ser cético, mas está inserido em uma sociedade mergulhada na cultura religiosa, nas crenças e na espiritualidade. Mais do que isto, por vezes o ateu fez parte dessa cultura por boa parte de sua vida. Deve o ateu ser obrigado a esquecer as boas lembranças que teve em natais passados? Deve ele pedir apostasia? Deve ele negar-se a receber quaisquer presentes no natal para não ser considerado hipócrita? Deve ele abster-se de desejar boas festas ou um feliz natal à alguém querido? Deve ele fingir que não conhece mais o padre ou o pastor? Quem realmente acha que a resposta à estas perguntas é "sim", comete uma séria confusão conceitual amplamente conhecida como preconceito.

Com isto em mente, sou capaz de apostar que, embora haja certos militantes de movimentos sociais que podem abster-se de participar das confraternizações ou até comparecem mas não perdem a oportunidade de criticá-las, o que não deixa de ser direito deles, a maioria dos ateus encara o natal da mesma forma que a maioria dos que não são ateus: Uma oportunidade para reunir a família, trocar presentes, fazer boas ações e preparar-se para o ano novo que virá, esquecendo-se completamente da doutrina religiosa por trás da comemoração.

Boas Festas!

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