domingo, 16 de janeiro de 2011

Minhas Inseguranças Meus Demônios Na Calada da Noite – Confissões do ex-Endemoninhado Gadareno

Agora são 02h05min da manhã e não me surpreendo de estar acordado.

Se fosse assim há um ano eu não teria sido surpreendido por minhas ações. Apanhado desprevenido, ou até mesmo envergonhado de mim mesmo. Eu não ligava para o que pensavam ou falavam de você... Mesmo que prendessem meus pés e minhas mãos, eu arrebentaria.

Meus demônios eram a céu aberto. Nos sepulcros. Sem mascaras, sem roupas e sem casa. Para que todos pudessem ver. Eu tinha vergonha, sentia ciúmes e era pegajoso. E tudo isso era por causa de você, cuja única esperança de tê-la eternamente era controlando os seus atos.

Eu estava inseguro. Em algum ponto da nossa relação, de alguma maneira eu não controlava as emoções e isso me machucava. Sabia que eu nunca seria forte o suficiente para ir embora da sua vida. Não era simples me livrar de você, tentei várias vezes e depois de numerosas tentativas falhadas, descobri que o mundo desmoronou em mim.

Incrível é..., como você resistia...

Você veio. E mesmo eu, no controle da situação, achei mais fácil mascarar o medo do abandono, o medo da rejeição e o medo de não ser bom o bastante para você.

Como eu poderia deixar você saber que eu estava machucado? Que meu coração estava tão desmantelado, antes de me conhecer ou do frio na barriga que sentia por você, que era tão estranho para mim. Nós meses anteriores, não te conhecia, na verdade, eu nem reconhecia o meu próprio sorriso. E agora tudo está reconhecível e mesmo assim os demônios permanecem comigo.

Eu escondia meus demônios de você. Para você, eu ainda valia alguma coisa. Eu era bonito, e não um gordo. Sincero, e não um mentiroso. Encantador, e não um antipático. Eu estava feliz, talvez um pouco louco, pois oscilava ligeiramente o meu temperamento, mas eu estava apaixonado.

Não é dramático...

Mesmo os momentos em que mal pronunciava alguma coisa, se transformavam em momentos íntimos memoráveis em que eu me esforçava em ser adorável e não tão estúpido. E mesmo sabendo do problema geográfico entre nós, em eu querer ser seu mundo e você apenas querer me abraçar... Eu era freqüentemente atormentado pelos demônios interiores.

Neste dia, ou noite, não sei... Já são 03h37min, eu continuo com os olhos abertos. Tudo isso porque o meu amor por ti ainda está além da minha compreensão.


Este ano... Meus demônios ficaram entorpecidos. Sem o meu conhecimento, eles vinham se fortalecendo, e eu sentia isso o tempo todo. Como eu poderia ter sabido que você tentava fazer-me sentir como o garoto mais sortudo do mundo, tão especial e feliz... Eu era cego, e aqui bem no fundo ainda me sentia inseguro.

Eu não gosto de relacionamentos que durem momentos, pelo menos não é do tipo que me dá certa segurança. E por falta de segurança, os demônios invadiram, se apropriaram, subjugaram, dominaram, escravizaram, controlaram, aprisionaram a minha mente e o meu corpo, fazendo com que eu perdesse a capacidade, cognitiva, emotiva, sensitiva, perceptiva e psicomotora.

Nada estava normal, percebia que a cada dia que passava eu sentia mais a sua falta e menos daquelas pessoas que diziam: “Oh, agora dói, mas em um mês, você não vai nem sentir" ou "você vai encontrar alguém novo, em algum momento da vida".

Eles deveriam saber que você é a única que posso contar de verdade. E a verdade é que não esta sendo fácil ver você entre as suas amigas. Não são as reuniões entre vocês, que além de afastar-me de ti, me deixa inseguro. Mas o que me deixa inseguro é esses rapazes que transformam em formigas para querer medir o nível de açúcar que está em seu corpo. Todos querem ter você por perto. E agora, como você quer que eu me considere... Apenas um amigo! Não poderei fazer nada mais do que sentar, e manter-se tranqüilo e torcer para que eles não sejam mais encantadores do que eu.

Recentemente, a minha inveja veio à tona. Mais forte do que antes, eu não consegui controlar a emoção. É atacou-me várias vezes, atravessando as linhas do fuso apaixonante e transpassando os limites da psique. Mesmo assim, você me achava atraente, deixando o meu ego possessivo injustificado.

Conforme os dias passavam, minhas inseguranças e autodúvida continuavam a expor-se sob a forma de pesados suspiros, agarrando-me e deixando-me sem controle sobre meus pensamentos, palavras ou lágrimas.

Ontem, de manhã, já era de se esperar, cheguei ao mais baixo nível.

Quanta avaria sentia o meu coração. Travou o funcionamento interno da minha mente confusa. Eu chorei um monte. E agora decidi revelar todas as minhas inseguranças, os meus medos, os demônios. Simplesmente aconteceram, todos os meus sentimentos afloraram. Eu tentei manter escondido de você por muito tempo, mas agora escapou, na sua frente foi em forma de choro silencioso, por traz de você foi manifestado em revolta.

Tão revoltado fiquei, que andei nos sepulcros, noite e dia, cortando-me com as pedras que via no chão. Nem as melodias da harpa de Davi era capaz de acalmar os meus demônios, fiquei violento de tal maneira que ninguém conseguia me segurar. Você viu tudo, eu não queria e você sabia disso. Mas eu não poderia enganar você.

Certo Mestre veio em minha direção e ordenou para que meus demônios saíssem. Mais eles resistiam, voltavam e se apoderavam novamente de mim. Foi quando um dos meus demônios disse: “Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me atormentes! Será que eu estava tão ligado assim... pior que eu estava, pois eram Legiões. O Mestre olhando os meus demônios decidiu que não iriam mandar eles para o abismo e sim para uma manada, ao irem, eu me senti liberto e a manada se atirou do precipício.

Ao ser liberto, eu não conseguia parar de chorar. As lágrimas continuaram simplesmente a correr e quando eu disse “obrigado”, elas jorravam como cachoeiras deslizando pelo meu rosto. Nem 10 minutos se passaram... Para me sentir bem. Senti o vento tocar as gotas do meu rosto, o cheiro de mar e de terra molhada. Admirei o azul do céu, o verde das árvores, o colorido das flores e você. Fui vestido, sentei-me e decidi vomitar as palavras no Mestre... Joguei para fora todas as minhas inseguranças. Você me viu ao longe e talvez pensasse que eu só estaria um pouco louco. Mas compreendeu que eu fazendo dessa forma as dores que sentia iriam sumir gradativamente.

O mestre atentamente me escutou, eu expressei o meu desejo de segui-lo, mais ele falou que seria melhor eu ficar com a minha família e relatar o livramento dos meus demônios ao povo de Decápolis. Foi o que eu fiz, e todos se maravilharam. Mais algo estava errado, mais uma vez, eu estou sentido medo de ti perder, é sinto me consumindo por dentro. Concluo neste exato momento, que eles não desaparecem assim tão facilmente, e eu não sou mais ingênuo o suficiente para acreditar que eles podem desaparecer por completo. Mas quando olho para você, definitivamente me sinto um pouco mais normal do que talvez eu realmente seja...

No ano passado nós amamos e rimos, cantamos músicas bobas e falamos da época de criança. Choramos e gritamos. Dissemos algumas coisas dolorosas um ao outro. Eu fui teimoso, às vezes. Você foi egoísta de tal forma altruísta, fomos completos idiotas em alguns momentos. Confessávamos das perseguições, dos tempos ruins, das reincidências e sentenças, entre muitos outros obstáculos e segredos insanos.

Você esteve lá, do meu lado, para me ajudar em muitos aspectos e só espero ter retribuído esse carinho a altura. O ano passado tivemos ocasiões altas e baixas, mas ainda estávamos juntos, e de alguma forma conseguíamos formar uma amizade honesta, verdadeira e respeitosa para com o outro. Você se tornou minha melhor amiga, minha amante, a mulher dos meus sonhos.

Enquanto minhas inseguranças aparecem por dentro de mim mantendo-me por certo tempo acordado até a madrugada chegar, às vezes elas deixam-me sentindo acusado ou agravado parecendo que os demônios surgirão com mais força. Só sei que a cada “abraço” seu, me sinto confortável e me torno normal, pois seu coração bate no mesmo ritmo do meu♥.

4h25min.

O Gadareno (Sem nome, sem uma origem familiar definida)

(Uma História de Ficção)
Referencia: Mt 8.28-34; Mc 5.1-20; Lc 8.26-39; 26 Navegaram para a região dos gerasenos, que fica do outro lado do lago, frente à Galiléia. 27 Quando Jesus pisou em terra, foi ao encontro dele um endemoninhado daquela cidade. Fazia muito tempo que aquele homem não usava roupas, nem vivia em casa alguma, mas nos sepulcros. 28 Quando viu Jesus, gritou, prostrou-se aos seus pés e disse em alta voz: “Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes!” 29 Pois Jesus havia ordenado que o espírito imundo saísse daquele homem. Muitas vezes ele tinha se apoderado dele. Mesmo com os pés e as mãos acorrentados e entregue aos cuidados de guardas, quebrava as correntes, e era levado pelo demônio a lugares solitários...
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