sábado, 14 de julho de 2012

Psicoterapia e fé






Depois de ler uma matéria interessante sobre o tema desta postagem na revista Psiqué Ciência e Vida, resolvi compartilhar, principalmente com os dois psicólogos desta Confraria, para apreciação e possíveis debates. Editei a matéria tentando retirar dela o essencial e mantive muitas vezes, o texto original do artigo. A matéria é bem longa e aqui posto apenas a parte inicial. Se for do interesse, posso postar as demais partes posteriormente.
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"Resultado terapêutico é melhor quando são levados
em conta a crença e os valores espirituais do cliente"


Apesar da maioria da população mundial ser portadora de uma fé religiosa, abordagens psicoterápicas como o Behaviorismo de Wateson, a Psicanálise de Freud e a Terapia Cognitivo-Comportamental de Beck não consideram em seus métodos a espiritualidade e as crenças religiosas. Foi por causa dessa separação entre psicoterapia e espiritualidade que um grande números de pessoas buscaram abordagens que considerassem seus sistemas de crenças, o que faz aumentar em muito as Terapias Complementares no mundo.

A proposta original da psicologia era compreender o espírito, que do latim spiritus significa literalmente respiração, sopro, mas em séculos passados, a psicologia se distanciou do estudo do “não-palpável”, enquanto a medicina desenvolvia métodos de investigações do corpo (do latim: corpus, parte essencial). Hoje, é opinião corrente de que a psicologia deve investigar o espírito.

Como sabemos, as primeiras discussões sobre religião no âmbito da psicologia foi trazida por Freud, que a considerou como remédio ilusório contra o desamparo. A crença na vida após a morte estaria embasada no medo da morte, análogo ao medo da castração, e a situação à qual o ego estaria reagindo é a de ser abandonado. Atualmente, a experiência espiritual-religiosa deixou de ser considerada fonte de patologia e, em certas circunstâncias, passou a ser reconhecida como provedora do reequilíbrio e saúde da personalidade.

As atuais teorias sociológicas veem na crença após a morte uma forma de fornecer significado à vida atual com a continuidade na seguinte. Numa amostra nacional de 1.403 americanos, essa fé ou crença esteve positivamente correlacionada à qualidade de vida e especificamente relacionada com menor severidade de seis sintomas (ansiedade, depressão, compulsão, paranoia, fobia e somatização). Outros estudos recentes sobre espiritualidade e religiosidade em amostras específicas (enfermidades  graves, depressão e transtornos ansiosos) mostraram pertinência quanto à investigação do impacto dessas práticas na saúde mental e na qualidade de vida. O psiquiatra Alexander Moreira-Almeida revisou os estudos conduzidos nesse campo e revelou que, na maioria deles, níveis mais elevados da participação espiritual/religiosa foram associados a um maior bem-estar e saúde mental.

Estudos feitos na Universidade de Boston com psicoterapeutas chegou à conclusão que a espiritualidade é um tema potencialmente provedor do encontro de equilíbrio e harmonia dos clientes. Por outro lado, a diversidade de conceitos da espiritualidade foi um ponto de dificuldade para o profissional abordar o tema na psicoterapia. Mesmo com a importância da espiritualidade e religiosidade na vida das pessoas, muitas vezes fundamentais, a dificuldade para a psicoterapia de integrar essa dimensão humana se resume em fatores como: a orientação tradicional de escolas psicoterápicas de que a espiritualidade está fora da esfera de investigação e do conhecimento, a ausência de programas de supervisão e treinamento e o desconforto com os temas espirituais e religiosos por parte dos educadores e profissionais. Mesmo com essas dificuldades, iniciativas buscam a integração da espiritualidade-religiosidade na Psicoterapia.

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