terça-feira, 11 de setembro de 2012

A cabeça cortada do monstro que torna a crescer nas eleições


"E vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio. E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta. E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?" (Apocalipse 13:1-4; destaquei)

Mais uma eleição se aproxima e novamente o povo brasileiro é convocado a comparecer obrigatoriamente às urnas afim de escolher quem serão os futuros prefeitos e vereadores de suas respectivas cidades pelos próximos quatro anos (2013/2016). Panfletos, cartazes e carros de som estão por todo canto assediando o eleitor de maneira até exaustiva.

Impressionante como que os candidatos em destaque costumam ser os mesmos das eleições passadas! Porém, quando há alguma renovação nas câmaras municipais e prefeituras, os políticos novos que chegam lá, em regra, seguem os mesmos passos de iniquidade dos seus antecessores por eles criticados tão duramente no palanque. Isto quando não são os próprios filhos, cônjuges e apadrinhados dos que já se corromperam no poder, os quais, por mero impedimento legal, não estão podendo disputar reeleição ou cumular cargos, pelo que apoiam alguém feito à sua imagem e semelhança ou que seja osso de seus ossos e carne de suas carnes.

Pois é, amigos. A história da politicagem suja e barata tende a se repetir enquanto o Reino de Deus não estiver plantado nos corações governando a sociedade rumo a uma realidade diferente daquilo que ela vem experimentando passivamente. De pouco adianta as pessoas irem votar em outubro se elas continuam inertes quanto aos problemas do cotidiano e às necessidades coletivas. Só que parece fazer parte da natureza carnal do ser humano aplaudir os perversos como diz o salmista da Bíblia abordando o tema da prosperidade dos maus:

"Por isso o seu povo se volta para eles e bebem suas palavras até saciar-se" (Salmos 73:10)

Em que pese a maldade dos ímpios, ainda assim o povo prefere "beber" as suas palavras mentirosas. Enganado (ou querendo iludir a si mesmo), o cidadão dá crédito ao político que irá oprimi-lo após tomar sua posse no cargo. Vota no cara que desviará o dinheiro público, privatizará as escolas, deixará que os hospitais continuem quebrados atendendo mal os pacientes do SUS, fará da prestação do serviço público um mero favor ao pobre, aumentará a tarifa dos ônibus urbanos em comum acordo com os empresários do transporte, cobrará propina de quem realmente produz, inventará novos impostos e usará até da violência física e institucional para proteger os seus esquemas de corrupção.

Falando mais uma vez da Bíblia, é interessante observar que certos fatos configuram como reincidentes nas Escrituras Sagradas. Em Êxodo, diz o texto que um faraó decidiu afogar no rio Nilo os bebês das mulheres hebreias afim de controlar o aumento populacional da descendência de Abraão no Egito (ver Ex 1:22). E, cerca de um milênio e meio depois, um outro monarca (Herodes, o Grande) resolveu fazer praticamente a mesma coisa mandando exterminar os meninos de até dois anos na cidade de Belém (Mt 2:6). Isto porque o rei intencionava matar o Messias prometido com medo de que viesse a perder o trono de Jerusalém para o legítimo herdeiro da casa real de Davi.

É certo que, nos tempos de Herodes, acreditava-se na vinda de um cristo político cuja missão seria a de restaurar a soberania perdida de Israel. Muitos judeus aguardavam que o Messiah iria liderar o povo na libertação do domínio de Roma, a qual oprimia a nação com sua potente força militar, cobrava pesados tributos, escravizava, estabelecia trabalho forçado nas minas, e punia cruelmente os revoltosos que se opusessem a César. Mas quanto ao desempenho desse papel guerrilheiro, Jesus parece ter frustrado as expectativas de seus compatriotas, inclusive dos discípulos que o seguiam. Principalmente quando resolveu entregar a sua vida voluntariamente em favor da humanidade ao invés de resistir com armas a ponto de Pedro tê-lo negado durante sua prisão mais provavelmente pela vergonha do que pelo medo de morrer junto.

Durante a tentação sofrida no deserto, o diabo chegou a apresentar um atalho a Jesus para este concretizar rapidamente o projeto messiânico, oferecendo-lhe todos os reinos do mundo "se, prostrado, me adorares" (Mt 4:9). Porém, o Senhor rejeitou de plano aquela proposta ilusória de Satanás e seguiu firme no seu ministério valoroso afim de arrancar o mal pela raiz, limpando do coração dos homens toda semente maligna. Sobre este mesmo solo, ele plantou as boas novas de um reino que não é deste mundo e que não funciona segundo a lógica pecaminosa dos governantes visto que o Evangelho busca primeiramente a transformação íntima do ser humano pela via do arrependimento e da conversão sincera. Do contrário, caso Cristo viesse a se tornar um novo rei no lugar de Herodes, os resultados de justiça e de paz pretendidos seriam de curta duração de modo que o seu governo passaria como um dia também passaram os reinados terrenos de Davi, Salomão, Asa, Josafá, Ezequias e Josias, todos estes considerados importantes líderes da nação judaica em sua fase monárquica.

Ora, do que adianta cortarmos uma das cabeças da besta se ela volta a crescer? Pois digo ser necessário expulsar de dentro dos nossos corações aquele monstro do Apocalipse visto que somos os verdadeiros responsáveis pela manutenção desse sistema sujo, o qual embriaga os líderes do mundo com a bebida entorpecedora de sua prostituição. É a nossa própria cobiça, distorção da realidade, lascívia, impulsividade, omissão e valores egoístas cultivados interiormente que ainda contribuem para manter no poder não apenas as mesmas pessoas, mas também as velhas práticas rotineiras de exploração e de violência.

O Reino precisa estar em nós! É algo que deve ser compreendido no íntimo de cada um e ser posto em prática dentro das relações estabelecidas com o próximo e com a comunidade. E aí, sendo a sociedade alcançada em sua base com o amor sacrificial de Cristo, conseguiremos ver transformada essa dura realidade que ainda nos aflige. Mesmo que contemplemos esta visão pela fé no cumprimento da história.

Que sejamos os agentes desse bendito Reino de Deus e do seu Cristo! Aleluia!


OBS: Ilustração extraída do acervo da Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:La_B%C3%AAte_de_la_Mer.jpg
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