quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Vinho


Segundo o mito, Dioniso ordenou a seus súditos que lhe trouxesse uma bebida que o alegrasse e envolvesse todos os sentidos. Trouxeram-lhe néctares diversos, mas Dioniso não se sentiu satisfeito até que ofereceram o vinho. O deus encheu-se de encanto ao ver a bebida, suas cores, nuances e forma como brilhava ao Sol, ao mesmo tempo em que sentia o aroma frutado que exalava dos jarros à sua frente. Quando a bebida tocou seus lábios, sentiu a maciez do corpo do vinho e percebeu seu sabor único, suave e embriagador. De tão alegre, Dioniso fez com que todos os presentes brindassem com suas taças, e ao som do brinde pôde ser ouvido por todos os campos daquela região. Nos festivais realizados em sua homenagem, que eram basicamente festas da primavera e do vinho, também foram acrescentadas performances dramáticas, especialmente em Atenas, de forma que seu culto pode ser visto ligado ao gênero dramático. Em geral é representado sob a forma de um jovem imberbe, risonho e festivo, de longa cabeleira loira e flutuante, tendo, em uma das mãos, um cacho de uvas ou uma taça, e, na outra, um dardo enfeitado com folhagens e fitas. A partir daí, Dioniso passou a abençoar e a proteger todo aquele que produzisse bebida tão divinal, sendo adorado como deus do vinho e da alegria.
Apreciadores não bebem, desvendam cada pedaço de história escondido nas borbulhas, nos taninos, no carvalho. Se ao olhar uma garrafa de vinho uma pessoa enxergar apenas uma bebida, pode-se ter certeza de que ela não faz parte do clã que, diante da mesma experiência, encontraria naquela garrafa uma história, uma referência ou ainda momentos inesquecíveis de prazeres. É fácil diferenciar alguém que simplesmente bebe vinho daqueles que encontram no fermentado de uva parte de sua vida.
O vinho está associado a momentos felizes e inesquecíveis

É difícil imaginar que uma vinha selvagem, vitis vinifera, se tornou depois de milhões de anos algo em torno de 10 mil variedades de uvas, incluindo o Chardonnay da California ou o Malbec argentino que você está saboreando....nesse exato minuto.


  • Em 2011 a mais antiga evidência de produção de vinho foi descoberta no sul da Armênia. A escavação de um local com  6 mil anos revelou uma cuba de fermentação, os restos de um copo feito com chifre de algum animal, jarras, uvas secas, sementes e malvidina, um componente que dá cor aos vinhos tintos.
  • é possível que os israelitas, muito antes de Dom Perrignon em Champagne, criaram o vinho espumante, nesse caso tinto, muito difícil de ser controlado e recriado : " Para um copo nas mãos do Senhor,e o vinho espuma" ( Salmos 75:8)
  • As pessoas assumem que o vinho de antigamente era tinto. Porém pesquisas recentes em tumbas egípcias sugerem que vinhos brancos foram introduzidos antes da metade do segundo milênio antes de Cristo.
  • A primeira crítica de vinhos ocorreu no século II , quando Athenaeus descreveu um vinho branco elaborado próximo ao lago Mareotis ( localizado no atual Egito) que aparentemente era seco: " Excelente, branco, fragrante, agradável, fácil de assimilar, magro, não aparentemente de " ir para a cabeça " e diurético" .
  • Os antigos apreciavam vinhos bem evoluídos. Vinhos de 30 anos foram deixados na tumba do rei Tutankamon para ser apreciado na vida após a morte...
·         "Cristo não consagrou a água, o leite ou a coca-cola: consagrou o pão e Vinho, como alimentos do corpo e do espírito" (Fernando Sabino)
 
O primeiro milagre de Jesus foi a transformação da água em vinho durante um casamento. Já no Antigo Testamento é possível perceber que o suco da uva é mencionado várias vezes, seja como mensagem de purificação, consagração ou consumo exagerado, que leva à embriaguês
O vinho é uma dádiva ou uma maldição?
“Esses dois aspectos do vinho, seu emprego e seu abuso, seus benefícios e sua aceitação aos olhos de Deus e sua maldição estão entrelaçados na trama do Antigo Testamento de tal modo que o vinho pode alegrar o coração do homem (Sal. 104:15) ou pode fazer a mente errar (Isa. 28:7). O vinho pode ser associado ao regozijo (Ecl. 10:19) ou à ira (Isa. 5:11); pode ser usado para descobrir as vergonhas de Noé (Gên. 9:21) ou, nas mãos de Melquisedeque pode ser usado para honrar a Abraão (Gên. 14:18).”
"Quando provares, não olhes para a garrafa, nem para o rótulo, nem observes aquilo que te rodeia, mas mergulha em ti mesmo para ai poderes ver nascer as tuas sensações e formarem-se as tuas impressões. Fecha os olhos e olha com o teu nariz, com a tua língua e com o teu palato" (Pierre Poupon).
“Quão estranha e magnífica é a máquina humana; abasteça-a com pão, vinho, carne e queijos e saem suspiros, risos e sonhos.”
                                                                              Amém (Mir. 1:5)
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