sexta-feira, 15 de maio de 2015

Os naturistas e o turismo no país




Em 04/06/2013, publiquei em meu blogue pessoal o artigo Que tal termos uma grande rota turística percorrendo toda a Serra do Mar?, escrevendo sobre a importância do ecoturismo para o nosso país através da criação de uma trilha de longo percurso. Agora, no entanto, resolvi lembrar-me também dos naturistas, considerando a importância de que esse grupo, cada vez mais expressivo no Brasil, tenha mais espaços públicos oficializados nos diversos municípios do litoral e do interior. De preferência em locais paradisíacos!

A princípio, creio ser fundamental desmistificar o movimento naturista. Mal compreendidos até hoje, os naturistas são equivocadamente chamados de "nudistas" pelas pessoas que desconhecem o real propósito deles. Isso porque o naturismo não se restringe ao hábito de alguém simplesmente andar sem roupas! Segundo a definição de 1974, adotada pela Federação Brasileira de Naturismo, o "naturismo é um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática da nudez social, que tem por intenção encorajar o auto respeito, o respeito pelo próximo e o cuidado com o meio ambiente". Ou seja, cuida-se de algo bem além do nudismo mas que também não deve ser confundido com o naturalismo e muito menos teria a ver com turismo sexual, prostituição ou atos de promiscuidade, etc.

Por outro lado, analisando a ideia pelo lado econômico, não podemos nos esquecer que se trata de um promissor nicho de mercado. O perfil dos praticantes do naturismo corresponde a famílias de uma classe média culta com pessoas de diversos ramos profissionais: médicos, juízes, advogados, empresários, professores universitários e até oficiais militares. Além do mais, estamos falando de uma galera super respeitadora do meio ambiente que não fica sujando as praias e nem faz bagunça ou aquela barulheira incômoda. Embora nem todos os frequentadores sejam adeptos do movimento ecológico, suas vivências trazem muitas coisas que se assemelham aos ambientalistas.

Pode-se dizer que, em países europeus, o naturismo já se tornou algo bem comum e popularizado fazendo parte dos destinos turísticos a reserva de uma área específica para as pessoas tomarem banho de sol nuas. Já no Brasil, temos algumas praias oficialmente reconhecidas em que uma das mais famosas seria a de Tambaba na Paraíba, a 17 km da capital João Pessoa. E, aqui no estado do Rio de Janeiro, poderíamos mencionar a Praia Brava (Cabo Frio), a do Olho de Boi (Búzios), do Abricó (Grumari/Rio de Janeiro) além de uma bem discreta na região de Trindade/Paraty.

Uma praia oficial de naturismo segue regras características do próprio movimento. Costumam ser protegidas por normas jurídicas e administradas com o apoio de uma entidade naturista através de convênio firmado com a prefeitura local. Assim, as próprias associações deles se encarregam da limpeza, da manutenção e da proteção do lugar utilizado. Inclusive inibindo o assédio de gente mal intencionada.

No município de Mangaratiba onde moro, considerando a extensão do seu bonito litoral e a existência de várias ilhas nas baías de Sepetiba e de Angra, penso que seria estratégico para o desenvolvimento do turismo regional termos uma área de naturismo legalizada, desde que seja bem organizada, segura e atrativa, sendo certo que o baixo quantitativo populacional daqui pode favorecer em muito a privacidade dos usuários. Junto com o reconhecimento da praia e sua promoção viriam  também novos investimentos como hotéis, pousadas, restaurantes e empreendimentos imobiliários. Só no Rio Grande do Sul, existe um clube/condomínio chamado Colina do Sol que é praticamente uma mini cidade, sendo certo que a nossa grande vantagem no RJ é que o inverno daqui costuma ser muito mais ameno se comparado ao frio intenso dos gaúchos nesta época do ano.

Torço para que um dia a minha ideia venha a ser bem compreendida pelo leitor e pela população brasileira de um modo geral. Criar mais espaços para os naturistas nos municípios, quer sejam litorâneos ou do interior, trata-se de uma proposta séria e que muito pode beneficiar o desenvolvimento do turismo no país, atividade esta que considero considero uma "indústria sem chaminés". Penso que a minha Mangaratiba, tanto como Angra dos Reis e Paraty, tem um imenso potencial a ser explorado e que existem reais condições de fazermos a cidade crescer sustentavelmente gerando mais empregos e oportunidades de negócios de uma maneira organizada. E, neste sentido, a recepção de visitantes naturistas ajudaria em muito a região da Costa Verde, assim como pode servir para inúmeros outros municípios do Rio de Janeiro e dos demais estados da federação.


OBS: A foto acima foi extraída do site da Associação Naturista da Praia do Abricó em http://www.anabrico.com/
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