segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O lado simpático de um psicopata




Em seu recente livro Holocausto nunca mais, um romance histórico-psiquiátrico sobre os bastidores da Segunda Guerra Mundial, publicado em 2015 pela editora Planeta, o psiquiatra Augusto Cury nos trás dados impressionantes sobre o maior psicopata do século XX - Adolf Hitler (1889 - 1945).

Tendo estudado por anos a personalidade desse demônio em forma de gente, Cury expõe o gosto do Führer pelas artes, por música clássica, ópera e também pelos animais. Se com uma mão ele acariciava sua cadela de estimação Blondie, com a outra ele telefonava para seus subordinados assassinarem de uma só vez milhares de seres humanos num campo de concentração nazista. Na página 484 do livro, o autor mostra uma citação de Hitler sobre o seu cachorro Foxl que tivera na época da Primeira Guerra Mundial:

"Como eu gostava daquele bicho. Sempre que alguém encostava em mim, Foxl ficava furioso. Nas trincheiras, todos o amavam. Durante as marchas corria ao nosso redor; tudo observava, nada o distraía. Compartilhávamos tudo. À noite dormia ao meu lado" (DELAFORCE, Patrick. O Arquivo de Hitler, p. 32. São Paulo: Panda Books, 2010)

No entanto, o que mais chamou a minha atenção sobre Hitler foi o poema que escreveu em 1915, durante a guerra das trincheiras, quando estava apenas com 26 anos e servia ao exército alemão levando recados do comando ao front de batalha. É como consta na página 496 da obra de Cury que se utilizou da mesma fonte bibliográfica acima:

"Frequentemente sigo em noites frias 
Ao Carvalho de Odin no calmo bosque 
Tecendo com negra magia uma união 
A lua traça runas com seu feitiço 
E sua mágica fórmula humilha 
Os que se enchem de orgulho à luz do dia! 
Forjam suas espadas em fulgurante aço 
- mas, em vez de lutar, 
Congelam como estalagmites. 
Assim se distinguem as almas - as falsas das verdadeiras 
Penetro um ninho de palavras 
E distribuo dádivas aos bons e aos justos 
E minhas mágicas palavras lhes trazem bênçãos e riquezas." 

Ora, quem fizer um estudo atento desse inegável salmo satânico observará traços de uma personalidade doentia. Por trás das palavras aparentemente belas, esconde-se não só a sua inclinação para um perigoso messianismo, a ponto de Hitler pensar que era um abençoador dos homens, como também podemos perceber a maneira como ele já criava a sua perversa distinção entre pessoas. Algo que, em pouco mais de duas décadas, vai se evidenciar nas suas perseguições a judeus, ciganos, eslavos, marxistas, doentes mentais e homossexuais.




Entretanto, o romance de Cury nos faz refletir sobre a possibilidade de novos hitleres chegarem ao poder em tempos de crise, quando a má formação educacional dos cidadãos permite a condução de psicopatas ao poder dando ouvidos às "mágicas palavras". Pois como explicar a simpatia de muitos eleitores norte-americanos pelas loucuras do bilionário Donald Trump, pré-candidato republicano à Casa Branca, o qual propõe expulsar muçulmanos do seu país e construir um muro na fronteira com o México?




Nessas horas, pergunto se estamos de fato prevenidos ou se nos deixaremos manipular por esses radicais. Questiono como alguém semelhante a Hitler não chegaria facilmente ao poder num Brasil cheio de ignorância considerando que o ditador alemão ascendeu numa das nações mais cultas do planeta, e berço de inúmeros filósofos da humanidade? Por isso, mantenho minhas preocupações quanto aos políticos da chamada "bancada da bala", os quais propõem coisas absurdas tipo a pena de morte. E, quanto à tão defendida pré-candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência, como vejo em postagens nas redes sociais do Facebook, confesso que eu seria até capaz de votar no Lula (em alguém apoiado pelo governo), caso ele dispute as eleições de 2018 e consiga ir para o segundo turno.




Portanto, que ninguém se engane! Como já havia dito Jesus de Nazaré há quase dois mil anos em seu Sermão Profético no Monte das Oliveiras, muitos viriam em seu nome se dizendo o Cristo (Mt 24:5). Ou seja, o Mestre dos mestres, na sua profunda análise da História, expôs os terríveis riscos do messianismo, prevendo a sua possível repetição no futuro. E aí espero que o Brasil, sendo um país majoritariamente cristão, não se deixe iludir.

Holocausto nunca mais!
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