quinta-feira, 24 de março de 2016

E se o Dia da Bíblia virasse um novo feriado nacional?




Embora eu defenda o Estado laico, não me oporia à criação de um novo feriado no calendário nacional destinado a homenagear a Bíblia ou quem sabe até a totalidade dos livros sagrados de todas as religiões.

Entendo que o fato do Brasil ter feriados religiosos, por força da tradição do catolicismo romano, a exemplo da  Paixão de Cristo, Páscoa, Cospus Christi, Nossa Senhora Aparecida e Natal não tornam a República confessional. Isto porque, como é de comezinha sabença, o reconhecimento do feriado religioso não estabelece nenhuma relação jurídica entre o Estado e determinada Igreja quanto à sua organização e funcionamento.

Assim, entendo que a adoção do Dia da Bíblia como feriado seria uma maneira do Estado prestigiar a liberdade religiosa e os livros sagrados das religiões dando destaque  à principal literatura do cristianismo e do judaísmo, com uma especial atenção aos evangélicos, hoje o segundo maior segmento cristão do país. É como pude verificar numa página da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB ):

"Celebrado no segundo domingo de dezembro, o Dia da Bíblia foi criado em 1549, na Grã-Bretanha pelo Bispo Cranmer, que incluiu a data no livro de orações do Rei Eduardo VI. O Dia da Bíblia é um dia especial, e foi criado para que a população intercedesse em favor da leitura da Bíblia. No Brasil a data começou a ser celebrada em 1850, quando chegaram da Europa e EUA os primeiros missionários cristãos evangélicos. Porém, a primeira manifestação pública aconteceu quando foi fundada a Sociedade Bíblica do Brasil, em 1948, no Monumento do Ipiranga, em São Paulo (SP)." - extraído de http://www.sbb.org.br/eventos/dia-da-biblia/historia-do-dia-da-biblia/

Sabemos que, desde o início do século, essa comemoração passou a integrar o calendário oficial do país, graças à Lei Federal 10.335, de 19 de dezembro de 2001, a qual instituiu a celebração do Dia da Bíblia em todo o território nacional. Porém, considero relevante que a data também passe a ser considerada como um novo feriado, o que, obviamente, vai afetar muito pouco a economia nacional. Exceto os estabelecimentos comerciais que, por ganância, resolvem abrir aos domingos no mês natalício.

Portanto, fica aí a minha sugestão para que os nossos parlamentares em Brasília (cristãos ou não) possam discuti-la e, se for o caso, apresentarem um projeto de lei nesse sentido.
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