sábado, 8 de maio de 2010

Venha a nós o teu Reino sem culpas e sem traumas


Imagino um mundo onde sentir culpa seja o único pecado possível, além de se fazer mal a um semelhante. Mundo sem preconceitos disfarçados de dogmas religiosos recobertos de boas intenções. Uma sociedade em que o prazer sexual não seja demonizado, e no qual o amor em suas múltiplas manifestações seja sempre bem aceito e respeitado. Porque aquilo que não prejudica a mim ou ao meu próximo não pode ser jamais condenado ou mesmo questionado. E sou eu, em primeira e última instância quem deve determinar o que me faz bem ou mal, e não instituições religiosas (e) humanas.

Sonho com uma sociedade justa que não se auto-dilacere infligindo a si mesma e naqueles que vão vindo culpas as mais diversas em nome da “Moral” e dos “bons costumes”. Um lugar melhor, onde o cordeiro se apascente com o leão... ou em que o hetero e o homossexual convivam em plena paz e harmonia, considerando-se iguais como de fato são.

Desejo um Reino onde seja imperativo ser autêntico e onde toda forma de hipocrisia seja considerada pecado capital. Que os adultos ensinem às crianças o valor da sinceridade e de não se lutar contra aquilo que faz eles serem o que realmente são. E que toda forma de se privar alguém de ter prazer e satisfação consigo mesmo seja castigada. Ainda que isto se faça sob a sempre tirânica desculpa do “eu estou fazendo isto para o seu próprio bem”.

Onde não há culpa, também não há traumas, pois só se sofre por praticar algo quando se aprendeu que aquilo era “errado”. Que as culpas sejam erradicadas e que o amor seja livre em todas as suas formas e expressões. Que não se semeie o joio da culpa nos corações inocentes para que também não se multipliquem seres humanos doentes de alma, inquisidores das felicidades alheias, ressentidos, mal-amados e maus amantes.

Quanto sofrimento poderia ter sido evitado, se tantas culpas não tivessem sido inventadas! Quantas pessoas simplesmente nunca teriam se sentido “inadequadas”, “sujas”, “pecadoras” se jamais tivessem sido (des)-informadas de que aquilo que sentiam era “pecaminoso”, “antinatural” ou ainda um "abuso" cometido por alguém...

É preciso desconstruir um mundo repleto de traumas adquiridos pela experiência da culpa e erguer outro baseado no bem estar de todos, em sentido amplo e irrestrito, a começar pelo bem estar psíquico. Pessoas emocionalmente saudáveis, que não temem o diferente e que não se culpam por dar e receber prazer, têm condições de construir um mundo melhor. Basta notar o fato de que os países mais desenvolvidos social e economicamente também são aqueles igualmente mais evoluídos em relação à forma com que a sexualidade humana é tratada, desde suas primeiras manifestações.

Que venha a nós um Reino onde os diferentes entendam-se iguais, variações da mesma raça; onde todas as formas de amor sejam respeitadas, compreendidas como manifestações distintas daquele mesmo sentimento; onde as pessoas não sintam culpa por sentirem-se felizes e no qual os traumas simplesmente não existam.

Imagem: http://veja.abril.com.br/blog/estetica-saude/files/2010/01/criancas-sol-foto-270.jpg
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