segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ponto critico




Sigo num ritmo acelerado a trajetória de um caminho sem volta. A essa altura não da mais para interromper o processo, não há como retroceder. O único medo que me assalta e me preocupa agora é o medo de não ter mais medo, e perder a noção do perigo. Não sei absolutamente em que fim vai dar, estou pagando pra ver, sei que posso pagar caro, só espero que não custe a minha própria alma.

Não mais me debato e nem ponho em risco a autenticidade do meu ser, em sacrifícios improdutivos contra as exigências legitimas da minha natureza, deixo que tudo corra naturalmente, não me preocupo mais com mandamentos que estão para alem de mim. Se o meu coração for bom, sei que dele procederá  boas coisas, caso não seja, depois de tanta coisa, já não sei se posso saber ou fazer coisa alguma.

Se a minha consciência me engana, então não me resta saída, posto que ela seja o meu único canal de cura. Se o julgamento que sempre fiz de mim mesmo não me resolve, e se tudo que senti e vivi diante Dele não servem de critério, então tudo para mim é nada, e nada é: Nada. Por instantes e momentos nada me é sagrado e nem nada mais me surpreende. E às vezes não espero mais nada de coisa alguma, e se tudo que acredito não for; apenas o ser me basta.

Ando insensível ao desespero de não ter o sentimento de medo algum sobre a tênue linha que me separa do bem e do mau. Ainda que eu me julgue imune no meu vale de sombra e morte, aonde o pecado perdeu seu poder de sedução sobre mim, porque nada mais me é proibido, mesmo assim não busco seguidores, pois sei que na prática estou mais para um espetáculo com um fim trágico do que para alguém que possa edificar a outros.

Atualmente tudo para mim se tornou apenas humano. Dantes tudo que se apresentava como divino intocável vira-se agora algo devassável. Não forço isso, é apenas processo natural do meu modo de ser. Tornei-me diante de toda dádiva e grandeza, apenas um olhar atento, tudo perdeu seu mistério.

Num compasso ritmado de passos que não param pelo tropeço de pedras insignificantes do caminho, sigo e antecipo a maturação dos intentos do meu pensamento sagaz e audacioso. E assim, sendo conduzido ao mais profundo da dúvida, num denso e drástico estado de alma, do fundo do poço de meu ceticismo eu chego num ponto onde não consigo mais passar adiante.

Diante da cena da cruz o meu ser se dobra, a minha alma em sua veemência não mais avança, não por respeito ou por falta de coragem, é que ali as minhas forças se esgotam. Ao olhar o homem posto sobre ela, o meu coração vergado e prostrado a até o mais baixo chão desta terra (pela subjugação da força de atração que emana daquele evento) se derrama. A cruz é o meu limite.


Gresder Sil

Escrito no final de agosto de dois mil e nove.
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