domingo, 6 de junho de 2010

Um pouquinho do pré-princípio



Olá amigos, vocês não me conhecem, eu me chamo Zios.

Sou o ser supremo de todos os universos e galáxias, desde antes da existência dos universos e galáxias.

Eu sou antes da existência da matéria, eu sou o criador da matéria.

Eu sempre estive ali, eu e mais nenhum outro ser.

Minha onipresença era repleta da mais triste ausência.

Vivia cheio e vazio de mim mesmo.

Minha existência não fazia sentido.

Eu estava em tudo, e este tudo era o nada.

Não possuo forma física definida.

O meu eu ecoava por todo vazio existente.

Foi quando resolvi dar existência ao universo, às galáxias, aos planetas, aos organismos macros e micros.

Agora não estava mais vagando em minha existência vazia, podendo existir naquilo que havia criado.

Resolvi criar seres parecidos comigo, formados de i-matéria, porém, sem poder de criação.

Chamei-os de angos.

Todos angos eram iguais.

Resolvi modificar um pouco categorizando-os, diferenciado-os, classificando-os de forma a torná-los superiores e inferiores.

Criei também um ser que chamei de Fitlo e outro ser chamado Esplito. Estes sim, eram como eu, superiores a todos os angos.

Os angos foram criados para emitir sons para mim, porque minha existência agora dependia destes sons, assim conseguia preencher toda minha ausência de significado.

Chamamos estes sons repetidos de música, e, a música me alimentava.

Continuamente, músicas, músicas e mais músicas sem fim.

Até que um dos angos resolveu imaginar que poderia ficar em meu lugar e receber todos os sons para ele.

Sim, o pensamento que era apenas uma capacidade minha, eu também dei a eles.

Foi aí que eu o lancei em um dos planetas que criei.

Como ele queria ser igual a mim, deixei-o sentir-se só, assim como eu me sentia antes de tê-lo criado.

Perguntei se alguém queria ir com ele e, vários outros angos quiseram ir.

Desde então, minha existência está voltada ao planeta Azulo, onde coloquei os angos juntamente com este que foi denominado ango rei.

O planeta Azulo foi um dos planetas que criei com intenção de que ele criasse sua própria vida sozinho.

Houve um grande conflito entre os angos, pois, não sabiam o que era pior, emitir sons eternamente aqui, comigo, ou, ficar em um local onde nada existe, existindo apenas outros angos.

Foi quando Azulo produziu os primeiros rumanos, este foi o nome dado ao novo ser gerado.

Os rumanos eram diferentes dos angos, angos não eram seres físicos, os rumanos foram gerados por Azulo, sendo assim, parte do planeta.

Desde então iniciou uma grande guerra entre os angos e os rumanos, desde que os rumanos perceberam a presença dos angos.

Eu me ausentei desta relação, afinal nem os angos que ali estavam queriam estar comigo, nem os rumanos me conheciam.

Foi quando resolvi continuar a minha existência na ausência de Azulo, apenas sabendo de tudo que acontecia através de minha onisciência. O ango rei, chamado de Diango havia dito que os rumanos não seriam como os angos e que os rumanos nunca seriam submissos a mim. Eu havia dito a diango que o ser rumano teria a capacidade de optar entre ele e eu, e que para isto não seria necessária minha intervenção. Por isso deixei Azulo e Diango se entenderem sozinhos.

Desde então Diango se apresentou para os rumanos como duas personalidades, sua própria personalidade e, outras vezes, usando minha identidade.

A primeira coisa feita por Diango foi informar aos primeiros rumanos que não poderiam comer de uma determinada árvore pois, ao fazer, deixariam de existir, não vivendo para sempre. Enquanto, ele, Diango, apareceu em outra forma para tentar induzi-los a comer da árvore, onde, obteve sucesso.

Diango então diz que agora, eles tinham perdido algumas regalias, porém, tal árvore não tinha nada de especial, as regalias não existiam, simplesmente os rumanos, ao deixarem seu ser material, se tornariam angos como os demais, Azulo se tornou capaz de criar angos por sua própria conta, eu não interferi porque preciso demonstrar que os rumanos vão optar por não acreditar, ou desejar Diango.

Os rumanos tinham uma vida muito ligada à sua mãe, Azulo. Ao retornarem para sua mãe, deixando a parte denominada matéria, eles retornam para junto de mim na forma de um ango. Não existe nenhum outro lugar para os angos, ou ficam aqui, junto de mim, ou em Azulo, porém, Diango projetou para os rumanos a idéia de que existe outro lugar para eles habitarem, onde, sua forma de ango sofreria constantemente. O objetivo de Diango foi tirar dos rumanos o prazer de viver em Azulo, forçando-os a viverem seu tempo da pior forma possível, inclusive, destruindo Azulo com intenção de morar em um novo Azulo, porém, eu não fiz e nem farei outro Azulo.

Tenho recebido muitos angos que se surpreendem quando chegam junto de mim, ao descobrirem que perderam todo o tempo em Azulo sem apreciar o planeta e os outros rumanos, vivendo da melhor maneira possível. Muitos angos me pedem para voltar, mas, não posso permitir isto. Ao chegarem, eles se juntam aos demais angos para emitirem sons para mim eternamente.

Tenho observado que Diango tem se saído muito bem quando se trata de enganar os rumanos.

Os rumanos passaram a cultuar, ou adorar a Diango em suas diversas personalidades.

E eles não tem percebido isso.

Mesmo quando dizem que estão adorando ao ser superior, eles estão adorando Diango, porque a projeção deste ser apresentado a eles, foi elaborada pelo próprio Diango.

O tempo que os rumanos vivem em Azulo, estão sendo dedicados quase que totalmente à Diango, mas, percebo também que alguns rumanos conseguem viver fora deste cenário montado por Diango, aproveitando o momento em que estão vivendo em Azulo.

E você? Quer aproveitar este tempo ou apenas viver uma vida baseada nos conceitos elaborados por Diango?

Abraços,

Evaldo Wolkers.
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