segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Deus: Masculino-Feminino... Sem Sexo!

Quanto mais estudo a religião em conexão com a psicologia, mais percebo o quanto os arquétipos fazem parte na construção da existência humana.

A tradição judaica no Gênesis tinha antes de Eva uma figura feminina por nome “Lilyth”. Essa foi a primeira “mulher” criada perfeita, mas se rebelou contra a autoridade masculina.

Na cabala, Lilith é tida com a primeira mulher, antecede Eva no antigo testamento, também responsabilizada pela des-ordem no universo masculino (Sempre elas não é?).

Ela abandonou o jardim do Èden por causa de uma disputa sobre igualdade dos sexos, chegando depois a ser descrita como um demônio:

“Os gatos selvagens conviverão aí com as hienas, os sátiros chamarão os seus companheiros. Ali descansará Lilith, (criaturas noturnas NVI), e achará um pouso para si. (Is 34.14). (A Versão que trás Lilyth é a Biblia de Jerusalém). Essa registrada no livro do profeta Isaias, segundo a interpretação Rabinica.

Algumas tradições dizem que Lilyth se rebela ao perceber que é da mesma matéria prima que Adão. Essa percepção culminou na recusa: “Ficar sempre por baixo durante o ato sexual”.

Lilyth é precursora que remonta o inconsciente antagônico ao dominio patriarcal, teve a audácia de questionar Deus sobre a razão dessa inferioridade e Ele responde: “Essa era a ordem natural, o domínio do homem sobre a mulher”. Essa resposta não a convenceu, rebelou-se e saiu do Éden.

Após os hebreus terem deixado a Babilônia, Lilith foi perdendo aos poucos sua representatividade, eliminada do velho testamento. Eva é criada no sexto dia, depois da solidão de Adão no gênesis.

O homem ao longo da história criou mecanismos de defesa, sentiu-se ameaçado, independente da forma que a mulher ganhou ao longa da história: “Astarte, Lilith, Rainha dos céus, Eva ou Maria”.

Uma coisa percebe-se no fundo do inconsciente masculino: “O homem sente-se ameaçado”.

A divindade do Espírito Santo no novo testamento como uma “Personalidade assexuada”, seria a síntese inconciente, para ficar num “meio termo”? Nem o pai vetero-testamentário, nem o filho neo-testamentário, nem maria mãe de “Deus”. Essa gerou um filho sem “Pai”. O filho gerado era homem, mas também “Deus”. Deus era o seu Pai e Maria não era sua mãe (Confissão evangélica).

Filho de Mulher sem contato de homem! O Espírito Santo é a SÍNTESE da divindade. Nem masculino nem feminino: “Neutro”; visto que a ausência da figura masculina ou feminina no arquétipo humano deixa-o deficiente. Da mesma forma um dos dois predominante causa des-equilibrio. Então entra em ação: “Um Deus Nem homem nem mulher, sem sexo, mas com personalidade!

Só o Pai do Antigo Testamento, simbolizando força, poder, guerra a manutenção da vida, deixa deficiência da ausência do colo materno, que representa: Cuidado, sensibilidade, ternura, expressão dos afetos...

A história da humanidade não conseguiu conciliar esse dois lados importantes da existência humana, um sempre exluiu o outro. No novo testamento surge uma terceira via que ninguém via, a saber: “Um Deus que os cristãos capaz de suprir a necessidade inconsciente de apaziguar esse conflito”.

A figura masculina é arquetípica da força pelo poder de impor. A figura feminina a docura da sensibilidade que se impõe sem se impôr. A ausência da primeira, pode nos levar a extinção por faltar a insensibilidade que se exige frente a perda. Sem a segunda a extinção vem pela barbárie, uma existência na insensibilidade não se pode chamar de existência!

Nem o pai, nem a mãe, nem o filho, ou todos ao mesmo tempo e nenhum exclusivamente. Que tal o “Espírito Santo”? Esse na teologia tem as mesmas glórias do pai e do filho, são eternos, mas diferentes individualmente!

A teologia do Espírito pode ser uma expressão inconsciente da associação do pecado ao sexo, por isso a mulher fica “Grávida do Espírito” não é um homem que a engravida, mas o proprio “Deus”!

A razão está em que a mulher não teria pureza suficiente para gerar um “Santo” com o homem. Nem o homem teria santidade para “purificar” a mulher, em razão de ser ele também impuro.

Não seria essa a forma do Novo testametno incoscientemente valorizar a mulher? Ao mesmo tempo que a salvação vem por um homem, não é o homem, mas Deus o autor da salvação?

È um “homem” que redime, mas esse não é filho de “mulher” nem “filho de homem”. È “Filho do homem”! Não é fecundado por homem, mas pelo “Espírito”. (Ruah: vento, sopro, ar em movimento). Com personalidade (Pessoa), mas “Assexuado”. (Por isso é santo?).

Seria incoscientemente uma repugna ao “Sexo”, ao mesmo tempo uma resignação contra o dominio “Masculino” uma tentativa de “Equilibrirar”, visto que a mulher tem maior participação do que o homem na história da redenção?

Não seria “Filho do homem” o redentor, mas seria “Semente da mulher”! Ei? Mas quem disse que mulher tem semên-te? È preciso fé... Ai então, cada um confessa o seu desejo...
Por: J. Lima

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