quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Religião científica-cultural



Se existem assuntos na sociedade humana que não se anulam, porém, também não se completam, estes são a religião, cultura e a ciência.

À partir do último século, estes assuntos tem nos fascinado de tal forma que, algumas pessoas até dedicam uma vida inteira a eles.

São fontes de concordância, discordância, "re-agrupamento" de ideias, dispersão de ideias, amores, guerras, alegrias, tristezas.

A religião sempre nos fascinou, mas o que mais tem fascinado a alguns é o estudo de tal área do desenvolvimento humano, porém, dissociado de seu mundo.

Ou seja, muitos estudiosos, mesmo fascinados pelo seu estudo, o fazem do lado de fora.

Este é o ponto mais fascinante, porque assim, a visão pode ser bela, como pode ser inaceitável e horrível.

Na maioria das vezes, o problema está quando nos apaixonamos por alguma delas e resolvemos seguir sua linha de raciocínio, mas, na maioria das vezes, buscando conhecer seus conceitos do lado de dentro, a magia se perde, tornando assim, pessoas que não conseguem mais enxergar sua magia e encantamento.

Não conseguimos olhar para trás e descobrir povos que não possuíam uma religião, porque tudo que não era compreensível, era encaixado neste contexto.

Sinto uma "pá" de humanidade quando estudo sobre religiões primitivas, que, na maioria das vezes, aceitavam o incompreensível exatamente desta forma, incompreensível.

Com o desenvolvimento da ciência e tecnologia, muito do incompreensível foi desmistificado, passando a ser compreensível.

Portanto, os assuntos imagináveis, porém inexplicáveis que continuaram assim, assim estão enquanto não houverem explicações.

Ontem estava imaginando momentos que vivi em casa de parentes no interior, em uma casinha no meio do nada. À noite, a incerteza do que havia a dez metros de onde eu estava me causava fascínio e arrepios.

Com uma mente de criança, portanto um pouco primitiva (rsrs), ficava imaginando de qual "ser" estava vindo aquele som logo em frente, na floresta.

Imaginei que, nossa vida na floresta era cheia de coisas inexplicáveis, coisas que não temos na vida urbana.

De dentro de nossas casas não nos assustamos com barulhos estranhos, pois, não nos são estranhos, são explicáveis.

Nossos games e filmes estão cheios de monstros criados por nós, na maioria das vezes num lugarzinho chamado Hollywood.

É muito diferente, rsrs.

A cultura foi se desenvolvendo baseada nisto, jogando para o lado científico aquilo que podia ser explicado e para o lado místico o que não podia.

O ser humano sempre foi eclético, não existiam cientistas e místicos/religiosos, havia uma base denominada "humano".

Tal humano, podia se apaixonar pela área mística/científica sem problemas.

A escolástica de Platão é um exemplo disto, onde a ciência caminhou muito tempo em paralelo aos deuses e seus mistérios.

Podemos definir estados de natureza "bom" ou "mal" para alguma destas áreas?

Creio que não.

Pois bom e mal são definições que também partem de nós.

Na verdade tanto a ciência quanto a religião trouxeram benefícios para a sociedade, quanto fizeram e fazem mal.

A religião é boa para o desenvolvimento social enquanto não obriga as pessoas a serem sua propriedade.

Ou enquanto não querem destruir todas as outras, jogando no lixo seus séculos e séculos de pesquisa e formação cultural.

A ciência é boa para o desenvolvimento social enquanto não destrói nosso planeta.

Religião e cultura andam em paralelo. Por exemplo, a circuncisão judaica, é religiosa ou cultural? As duas coisas, era cultural até que alguém disse que "deus" queria assim, após isto, passou a ser religiosa.

Existe uma falha central na religião que a ciência não possui (pelo menos eu acho), que é a dominação psicológica, esta falha, no passado poderia ser útil. Por exemplo foi usada para intimidar os seres primitivos para não cometerem crimes e mantê-los em uma "rédea curta".

Porém, no século atual, existem seres humanos que estão aproveitando desta falha da religião para dominarem grupos sociais e retirarem de tais grupos recursos para enriquecimento e benefícios próprios.

O cristianismo por exemplo, usa o conceito de rebanho para definir uma forma carinhosa de tratar seus seguidores, porém, o que realmente tais líderes cristãos atuais estão fazendo é tosquiar os seguidores, retirando seus recursos mentais e capitais, realmente como se faz com ovelhas.

Isso lógico não é generalizado porque, de todas religiões, o cristianismo é o que mais tem ramificações, divisões, interpretações e até revelações diferenciadas, teoricamente vindas de uma mesma divindade.

Confesso que vivo entre o amor pela idéia central da religião (povos primitivos) e o ódio pelos aproveitadores do século XXI.

Confesso que vivo entre o desejo de que todos os templos desapareçam quando olho para suas tribunas, e o desejo que ele permaneça ali, quando olho para uma senhora de setenta anos, ali, sorrindo e cantando.

A religião trouxe sim proveito para a sociedade, mas fica em mim uma dúvida, será que para nós e para as gerações futuras, ela ainda tenha utilidade?

Tenho visto ultimamente pessoas dizerem que não faz sentido nascer, viver e morrer, se não existe nada depois da morte.

Para mim, aqueles que pensam que a vida só faz sentido se ela continuar depois da morte estão enganados. Eu não preciso de infindáveis anos para ser feliz, eu preciso de apenas um dia, e este dia é o hoje.

Antes de escrever este texto estava refletindo sobre a morte, assunto que desde sempre intrigou o homem. E se eu morrer agora, depois de postar este texto?

Para mim, está bom demais, porque ontem deitei, respirei fundo, e imaginei que poderia não mais acordar, não mais ver meus filhos, não mais jogar bola com eles, não mais jogar vídeo-game com eles, não mais escrever, não mais namorar com minha esposa, não mais beijar meus filhos/esposa/pais, contanto feliz, porque enquanto pude, foi isto que fiz.

E se eu tivesse nascido morto? Sei lá, isto não estaria escrito aqui, ou estaria?

Evaldo Wolkers.
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