domingo, 26 de janeiro de 2014

Educação nada "zen"




Sinto-me indignado toda vez quando assisto a um comercial do MEC na televisão informando que o governo federal teria "democratizado" a educação no país. Através de uma peça publicitária acompanhada por uma chata musiquinha "Tô bem, tô zen, entrei pra faculdade com Enem", a qual não quer sair de jeito nenhum da minha cabeça, o vídeo tenta convencer a população de que, com os programas oficiais (Sisu, Prouni, Fies, Cotas e Ciência Sem fronteira) as portas ao ensino superior foram finalmente abertas aos estudantes brasileiros.

Ainda que tais projetos tenham facilitado o acesso de muitos às universidades, jamais podemos falar que houve uma verdadeira democratização social enquanto a educação de base, principalmente a escola pública, permanecer deficiente. Pois a verdade é que somente uma minoria consegue concluir os seus estudos com a qualidade necessária para ingressar e se manter numa faculdade, tendo um aproveitamento que possamos considerar suficiente.

É certo que a desvantagem educacional dos estudantes pobres deve-se à vergonhosa situação de desamparo dos ensinos fundamental e médio que é praticamente geral em todas as regiões brasileiras. Sem a elevação da qualidade da escola pública, que tenha como padrão as melhores instituições particulares, estaremos mais uma vez tapando o sol com a peneira. Por isso, não é uma inverdade afirmar que a reserva de vagas para jovens negros, por exemplo, continua sendo uma paliativo incapaz de solucionar a raiz do problema das desigualdades raciais. Estas se explicam por causa da força gravitacional da pobreza que, por razões históricas relacionadas a um passado de escravidão e de marginalidade, atinge quase a totalidade dos afro-descendentes. Logo, nenhuma política afirmativa, por si só, conseguirá dar jeito nisso.

Em se tratando de mais um ano eleitoral, não é admirável que as propagandas oficiais estejam voltadas para a captação de votos. Contudo, essa publicidade falsa e hipócrita do MEC cada vez engana menos. Percebo hoje na sociedade brasileira um certo desgaste em relação às baboseiras dos governantes, quer sejam eles do PT, do PSDB e de qualquer outro partido. Grande é a falta de credibilidade de todos esses programas e projetos os quais, no fim das contas, acabam sendo vistos como um desperdício do dinheiro público no imaginário da população. E quem não consegue passar no Enem, deve ficar com mais raiva ainda...

Para concluir, quero lembrar aqui da composição O Pequeno Burguês do compositor negro Martinho da Vila, sendo esta sim uma música de qualidade. A canção retrata muito bem a vida de um estudante de baixa renda, o qual, para realizar o sonho de algum dia se graduar (sem direito a ter festa de formatura), precisou pagar faculdade particular andando de trem lotado indo do trabalho para a aula. Diz a letra que "quem quiser ser como eu, vai ter é que penar um bocado" pois, afinal, só o sujeito que foi realmente pobre e veio das camadas mais humildes da população sabe o quanto é difícil melhorar de vida num país que, por enquanto, ainda é de poucos e não "de todos".


OBS: Imagem acima relacionada ao comercial do MEC que tem sido exibido na TV brasileira.
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