quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Eugenia intelectual.

       Os  neandertalenses se separaram do ancestral que partilharam conosco entre 600 e 550 mil anos atrás. Tinham uma capacidade craniana parecida com a nossa que fica numa média de 1.520 centímetros cúbicos. Eram fisicamente mais robustos que nós, com peito cilíndrico e músculos mais fortes e usavam cerca de 60 utensílios diferentes. Muitos encontrados naturalmente em seu habitat.
   Teoricamente os neandertalenses tinham as mesmas chances de se tornarem como nós no sentido de uma espécie hominídea inteligente capaz de viajar no espaço e comunicação interestelar. Não existem provas de que os neandertalenses tenham avançado além do ponto em que desapareceram há 30 mil anos atrás. Embora os paleontólogos discordem sobre muitas coisas, existe uma concordância quase total na literatura de que os neandertalenses não estavam a caminho de uma evolução substancial como a nossa. Eles eram organismos perfeitamente adaptados ao seu ambiente. Viviam em harmonia com a natureza, suas ferramentas continuaram imutáveis por mais de 200 mil anos. Só quando as culturas do alto paleolítico surgiram, há 35 mil anos, a inovação e a ordem arbitrária se diferenciaram.
  Mas, segundo a interpretação do paleontólogo Ian Tattersal, quando se compara a base do crânio nos registros arqueológicos sobre a capacidade do homem de Neandertal e seus precursores é difícil evitar a conclusão de que uma linhagem articulada como conhecemos hoje, é atribuição única de humanos modernos. A estrutura craniana dos mamíferos tem a base plana, mas nos humanoides é arqueada. No homem de Neandertal ela quase desaparece. A julgar por sua base do crânio, (posição relacionada com a altura com que a laringe se localiza na garganta) os neandertalenses tinham habilidades verbais mais fracas do que outros arcaicos sapiens que viveram milhares de anos antes. O abismo entre nós e o resto da espécie hominídea seria então transposto por nossos ancestrais. Será que só a inabilidade verbal causou este suicídio intelectual?
  O Homo Sapiens evoluiu posteriormente como descendente dos primeiros humanos, mas não houve nada de inevitável nisto. O Homo Sapiens porém, não é um organismo muito diferente do Homem de Neandertal, faz o mesmo que seus antepassados faziam mas um pouco melhor e muito diferente. Se a inteligência é um resultado previsível dos poderes da natureza, por que apenas uma espécie hominídea conseguiu sobreviver por tempo suficiente para fazer a pergunta: O que aconteceu com aqueles australopitecos bípedes e usuários de ferramentas?  O que aconteceu com aqueles Homos de grandes cérebros produtores da cultura habilis, erectus e neandertalenses?  Se os cérebros eram tão grandes, por que todas as espécies, menos uma, foram extintas?.
  Há milhares de anos atrás uma espécie de hominídeo classificada como Homo Sapiens sentiu necessidade de usar mais a sua capacidade cerebral provando que a necessidade é a mãe da invenção. Pelo fato de a evolução biológica ser basicamente um passeio aleatório no espaço de todas as possibilidades genéticas, ele tem sido muito lento. O cérebro não possui uma CPU única que processa cada comando em sequência. Ao contrário, possui milhões de processadores trabalhando juntos e ao mesmo tempo. O cérebro é constituído de cerca de 100 bilhões de neurônios de centenas de tipos, cada um deles contendo corpo celular, axônio, numerosos derdrídos e terminais axônicos que se ramificam para outros neurônios em aproximadamente mil trilhões de conexões sinápticas entre estas centenas de bilhões de neurônios.
   A criatividade envolve um processo de padronicidade ou de descobrir novos elementos e gerar produtos ou ideias originais a partir dele, mas carece de certo exercício cerebral constante. Os neandertalenses não tinham ou não desenvolveram esta capacidade. Apesar de todo este esforço para atingir este estado evolutivo, a raça humana precisa melhorar suas qualidades mentais aumentando sua complexidade para enfrentar novos desafios. No decorrer dos últimos milênios o homem descobriu que a terra não é plana, não é o centro do universo e que há um infinito número de sistemas iguais ao solar em outras galáxias muito maiores que a Via Láctea além de desvendar inúmeros mitos formados por sua crença primitiva.
Apesar das evidências, uma substancial parcela da humanidade continua acorrentada à idade média. Como os Neandertais, esta parcela da humanidade não está a caminho de uma evolução eminente. Suas crenças continuam imutáveis por mais de três mil anos. A involução psíquica tem cerceado a esperança destes elementos a trilharem o caminho da inteligência. Como, talvez, no passado ocorreu com o homem de Neandertal e o homo Sapiens que por algum motivo um se extinguiu enquanto o outro está contando sua história.
 Do  lado biológico o limite da inteligência humana  tem sido fixado pelo tamanho do cérebro que é determinado pelo canal do parto.
   Acredito que nos próximos cem anos conseguiremos desenvolver bebês fora do corpo humano de modo a eliminar esta limitação favorecendo os implantes neurais, aumento de memória e pacotes de informações mil. Tais seres parecerão menos conosco. Como será batizada esta nova espécie, Homem Cibernético?

E no 4º, 40º ou no 400º século dC estarão perguntando: Qual o tamanho da força que levou os cristãos, muçulmanos, budistas e outros fundamentalistas a optarem pela extinção? 

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