quinta-feira, 21 de abril de 2016

Bolsonaro e o elogio ao carrasco






Causou muito barulho o fato do deputado Jair Bolsonaro na votação pelo impeachment da presidente Dilma ter evocado a memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, conhecido torturador do regime militar.


Bolsonaro já deveria ter sido cassado(para alguns até "caçado") desde o dia em que declarou da tribuna da Câmara que a deputada Maria do Rosário não "merecia" ser estuprada por ele. Isso é de uma grosseria e de um machismo escroto para dizer o mínimo. Dito da tribuna da Câmara, a ofensa se expande exponencialmente. Merecia ser cassado.

Bolsonaro poderia ser um bom representante da direita, defensor do liberalismo econômico, mas teima em viver com a cabeça nos tempos da Guerra Fria. Ele se vê como um caçador de comunistas, mesmo o Muro de Berlim tendo caído em 1989, e se orgulha de defender torturadores e que o regime militar deveria "ter matado mais".

O coronel Ustra foi o primeiro militar reconhecido pelo MPF como torturador nos governos militares. Na comissão da verdade ele disse que tinha ordens para fazer o que foi feito e que não tinha cometido crimes, pois sua ação era contra terroristas comunistas.

Não se pode negar também a ação violenta da guerrilha que lutava contra a Ditadura via ação armada. Eles decidiriam entrar na guerra ideológica da Guerra Fria, alinhados com o comunismo de Moscou e entraram para matar ou morrer. 
As ações do governo militar e as ações da guerrilha faziam parte de uma guerra declarada: A guerrilha lutava para implantar a ditadura do proletariado e o governo militar lutava para que isso não acontecesse e para isso impunha a ditadura capitalista.

As ações da guerra se justificam (ou não) dentro do seu próprio contexto e época, mas trazer isso para os dias atuais é um anacronismo. 
Bolsonaro exaltar hoje torturados do governo militar é anacrônico, pois os tempos são outros. Tortura hoje é algo inaceitável (ainda que ocorram) mesmo na guerra. 

Os inimigos da Ditadura Militar brasileira estão hoje no poder (desde FHC) e nenhum deles querem mais implantar ditaduras de proletariados(com exceção de alguns poucos que ainda vivem com a cabeça nos tempos da guerra fria como Bolsonaro). É hora de evoluir esse discurso político.


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