quinta-feira, 7 de abril de 2016

E se o impeachment for barrado?




Quem ler de imediato o título dessa postagem e defende o impeachment da presidente Dilma certamente vai logo me dizer: "Vira essa boca pra lá, Rodrigo!" Porém, o que pretendo abordar é justamente a inutilidade para a sociedade a continuidade desse governo ainda que o PMDB de Temer possa ser pior.

No artigo IMPEACHMENT: SE FICAR O BICHO PEGA, SE CORRER O BICHO COME! “WINTER ON FIRE... FIGHT FOR FREEDOM. publicado anteontem em seu informativo diário, o cientista político e ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia comparou um eventual êxito do governo na Câmara dos Deputados às infelizes batalhas de Pirro contra os romanos no século III a.C. Pois conta a História que, quando o general macedônio invadiu a Apúlia (279 a.C.), região da Itália meridional, os dois exércitos defrontaram-se na Batalha de Ásculo onde ele obteve uma vitória muito a custo. Os romanos perderam 6.000 homens e Pirro 3.500, o que representou um duro golpe no seu efetivo militar visto que não suportaria outro desfalque semelhante contra os adversários.

Assim também considerou César Maia a luta contra o impeachment uma guerra pírrica ao  argumentar que:

"(...) Dilma enfrenta o impeachment com a votação do baixo clero. Se impedir o impeachment será a vitória da tropa de choque de Severino Cavalcanti, presidente da Câmara por curto período, renunciando em 2005 após um pequeno pixuleco por prestador de serviço no restaurante da Câmara. Se a base aliada, a partir da eleição de 2014, não garantia mais nada na Câmara, imagine-se o que seria a base aliada após um resultado apertado na votação do impeachment? Dilma, desde o início de seu segundo mandato, não tem tido base para aprovar leis ordinárias e menos ainda leis complementares e emendas constitucionais. As vitórias em plenário têm sido na contramão do que Dilma queria ou propunha. Conseguir uma minoria de pouco mais de 1/3 dos votos e das ausências sequer resolve a necessidade de votos para emendas constitucionais que são aprovadas com 60% dos votos e leis complementares com 50% e das leis ordinárias. O dia seguinte seria trágico com a certeza da ingovernabilidade agravada, do refluxo ainda maior de investimentos, de repique inflacionário, explosão da taxa de câmbio, desmonte da bolsa, queda ainda mais acentuada do PIB, estados e municípios indo a pique, mais desemprego e necessidade de taxas de juros extravagantes. Isso tudo com a coreografia e a exposição internacional das Olimpíadas. Por cima da vaidade e do orgulho de Dilma, sua renúncia –ou pedido de licença por tempo indeterminado- seriam os caminho racionais para conquistar o reconhecimento futuro pelo sacrifício (...)"

Concordo em parte que um resultado favorável do governo na votação do impeachment possa significar mesmo uma "vitória de Pirro", considerando que muitos problemas de articulação persistiriam para a aprovação das emendas constitucionais as  quais, se tentadas, também vão trazer novos problemas ao PT com a extrema esquerda que o tem apoiado nessas manifestações contra o "golpe". Mas, por outro lado, tal resultado poderá significar um certo fortalecimento político de Dilma que daria uma guinada à esquerda e acentuaria mais ainda a divisão do país por se distanciar cada vez mais das necessárias medidas de austeridade que precisam ser tomadas. Com o Brasil chegando ao fundo do poço, sem o investidor ter mais expectativa numa reviravolta, haveria ainda assim uma recuperação lenta da economia nos anos seguintes.

Outrossim, se o governo barra o impeachment, enfraquece a possibilidade política de que haja novas eleições antecipadamente (na hipótese do TSE vir a julgar procedente a ação movida pelo PSDB). E aí veríamos a oposição se fragilizando com uma parte do PMDB retornando e rachando o partido. Ou ainda com esses filhos pródigos criando uma dissidência que desembarcaria numa outra legenda nova ou velha.

O mais certo é que, se após barrar o impeachment, a economia não melhorar, enfrentará o PT grandes dificuldades de vencer as eleições presidenciais em 2018. Porém, se a Câmara o aprova, o que considero mais provável de acontecer, Lula vira oposição no dia seguinte, vai fazer de tudo para aumentar a ferida do "golpe" e poderá continuar aglutinando as esquerdas para a sua candidatura e surpreender em 2018 indo até para o segundo turno. Até porque, perante a população, o ex-presidente ainda goza da imagem de ter levado o país a prosperar e que os maus resultados dos últimos anos, na visão do cidadão comum, seriam atribuídos a Dilma. E, por sua vez, estando o PT fora do governo, quem seria responsabilizado passaria a ser o Temer de modo que a vitória da oposição no processo do impeachment também poderia ser comparada à do quase mítico general Pirro.

Em minha análise e percepção dos fatos, considero que termos novas eleições agora poderia ser a grande oportunidade para se derrotar o petismo/lulismo. É alternativa melhor do que o impeachment sendo pequenos os riscos do pleito presidencial antecipado oportunizar a ascensão de algum aventureiro. E aí, aconteça o que for, não nos interessa mais como sociedade civil o governo do PT e nem os políticos corruptos do PMDB que têm estado há mais tempo no poder. Pois o Brasil precisa de renovação política sem a qual estaremos tapando o sol com a peneira apenas com a expectativa de que a economia melhore, porém sem a garantia de que haverá uma justa distribuição da riqueza nacional.


OBS: A imagem acima é uma ilustração sobre o general Pirro na guerra contra os romanos em que teria feito o uso até de elefantes nos combates, conforme extraí do acervo da Wikipédia em https://en.wikipedia.org/wiki/Pyrrhus_of_Epirus#/media/File:Pyrrhus_and_his_Elephants.gif
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