quinta-feira, 29 de abril de 2010

“Eu também não atirei a pedra”

Uma mulher é trazida pelos cabelos
Arrastada pelas ruas de terra
Os homens ignoravam seus apelos
É assim que tratavam a quem erra
A jogaram aos pés dele...de joelhos
Só então ela se viu livre das feras

Uma dúvida surgiu na mente dele
Onde estava o homem também flagrado?
Que julgamento estranho era aquele?
Que num delito a dois...só há um culpado
Ele desconfia que aquilo fosse um joguete
Que tudo aquilo estava sendo forjado

Tramaram contra o Galileu
A mulher era apenas um instrumento
Mas aquilo que sucedeu
A todos espantou no momento
E apenas com um ato seu
Acabou com o fingimento

Escreveu algo na areia
Mas só estava ganhando tempo
Precisava escapar da teia
E evitar um apedrejamento
Levantou-se com uma cara feia
E desferiu o seu argumento

“Aquele que não tem “pecado”
Que atire a primeira pedra
Mas cuidado que este ao seu lado
Tem segredos que não revela
Por fora ele está caiado
Mas por dentro é uma favela”

Todos foram saindo
Revoltos e decepcionados
Não puderam pegar o rabino
No plano arquitetado
A mulher lhe agradeceu a ajuda
E ele lhe deu um recado

Onde estão os que te condenam?
E aquele que a comprometeu?
Se eles não atiram as pedras...
Também não as atiro eu
Porque os “pecados” deles
Também podem ser os meus.

Ainda que este texto possa agredir alguns corações, eu não hesitei um momento sequer em escrevê-lo, até porque eu jamais escreveria algo que não ousasse assinar.

Por: Edson Moura
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