sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Na Caverna Digital




Por Levi Bronzeado




Tem o tempo livre rodeado de aparelhos
Um mundo de informações e imagens a um simples toque
Está sempre com pressa, pois o tempo vale ouro
Imagina que está ganhando, mas deixa que está perdendo
Aquilo que é essencial nas profundezas do seu ser:
Aquela ausência sem preço que se denomina PAZ
A existência moderna de a muito já expulsou.



Em um constante alerta por obrigações pendentes
O progresso tecnológico tomou-o e pariu insônias
Para conciliar de noite, o seu sintético sono
Deglute uma combinação de vários tipos de fármacos
Hoje não sonha mais de modo tão natural
O barbitúrico roubou-lhe o tempo da meditação.
Tempo que foi tragado no efeito colateral.



Das telas, enfeitiçado pela gula informacional
Lhe engoliu o tempo livre que tinha pra conversar
Intoxicado pelo excesso do cibernético desejo
Que se apoderou de si de forma sutil e estranha.
Em seu mundo entorpecido como uma estátua de sal
Hoje é um abúlico de corpo com a alma enrijecida.
Tem mãos atadas ao teclado e olhar na horizontal.



Insensível e adaptado à tecnologia moderna
Segue o homem insensível numa efêmera excitação
Tal qual uma peste epidêmica que degrada a consciência
Não permite nem um olhar para dentro de seu ser
Em um lazer cronometrado, vivendo sem substrato
Nem nota que uma folha verde produz o oxigênio
Com mais sofisticação que um técnico artefato.



Descrito por Platão, o homem em seus primórdios
Vivia preso em correntes numa caverna de pedra
Com a visão distorcida do mundo de lá de fora
Preferia o reino de sombras e não a realidade
Hoje, pensa que é feliz em seu mundo artificial
Dedilhando sem parar de frente para uma tela
Vive sem o calor humano, numa Caverna Digital.




OBS: Imagem e texto extraído do blogue do autor, Ensaios & Prosas, postagem de 13/10/2016, conforme consta em https://levibronze.blogspot.com.br/2016/10/na-caverna-digital.html
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