sábado, 15 de outubro de 2016

Os fatos e as diferentes narrativas




Por Lurdinha Henriques

Quanto vale o viés de uma nova narrativa?

Os partidos – todos – devem parar de cobrir o sol com a peneira. Através de vários processos eleitorais o que mais vemos é traição, candidatos escolhidos e abandonados à própria sorte, parlamentares e dirigentes que fingem apoiar o candidato majoritário, mas estão engajados e entregues nos braços de outros (quase sempre com mais chances de vitória e que possibilitem participação em governo).

Até cansa lembrar de casos e casos repetidos à exaustão através dos anos. Não é à toa que o cidadão vem, gradativamente, perdendo a fé nos políticos e na política. Não é à toa que tanta dificuldade existe em mostrar que há, sim, aqueles para quem valores e princípios andam muitos passos à frente do pragmatismo rasteiro, dos acordos por baixo da mesa (e por baixo da mesa sempre há câmaras escondidas que um dia revelarão tudo), das possibilidades de um carguinho a mais, da subida de um suplente.

No entanto, essa postura oportunista vai-se tornando o calcanhar de aquiles dos que a praticam. Ganham aqui e perdem à frente muito mais. Porque imagem atingida não é recuperada facilmente, muito menos em momentos de grande desconfiança.

É interessante observar como o movimento de descrença na política não impede que os mesmos oportunismos se repitam. São "narrativas" reconstruídas à luz de interesses pouco republicanos. Como narrativa cada um faz a sua, fica tudo certo, mas, sempre em nome do que é melhor para a população, em nome de bloquear um mal maior. Um olhar mais apurado desvenda normalmente um território subterrâneo de interesses individuais e de pequenos grupos com muito pouco de nobreza envolvida.

O bom dessa época que vivemos é que há um contingente cada vez maior dos que desconfiam de tanto interesse público mal construído em nome do povo. A parte ruim talvez seja a falta de coragem de quem já viu os mesmos personagens em outras épocas percorrendo caminhos hoje combatidos como privativos de alguns. Ou talvez seja melhor assim mesmo. A farsa desnudando-se aos poucos e sendo desvendada devagar e sempre. Uma encruzilhada para quem defende valores e princípios. Denunciar o que ainda é obscuro ou deixar que a vida se encarregue de trazê-la à luz do sol? E o sol tem sido de rachar em tempos de Lava Jato.

Vamos aguardar.


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