terça-feira, 23 de agosto de 2016

“No Brasil não existem crentes de verdade!”

Por Noreda Somu Tossan


Depois de muito escrever sobre fé e devoção, cheguei à triste (triste?) conclusão que o país em que eu vivo, é um país sem convicções. O brasileiro é um povo que ainda não sabe muito bem o que quer da vida, ou melhor, o brasileiro é constantemente empurrado adiante por algo que ele nunca se preocupou em questionar. Ele vive dilemas éticos filosóficos, e não se importa se no final será chamado de idiota ou de herói da resistência.

Já conversei com muitos ateus, e também com muitos crentes (e quando falo crentes, não estou me referindo a um grupo evangélico restrito, e sim, a todos que de certa forma creem em algo sobrenatural para sua existência).

Alguns dos ateus, se é que posso considerá-los ateus, dizem não fazerem afirmações sobre a inexistência de Deus, pelo simples fato de não poderem provar tal afirmação. Então, eu posso concluir que eles não são de fato ateus, e sim crentes. Já os crentes, creem em algo que não se pode provar, mas, sua fé os mantém “convictos” que, algum dia, tudo será explicado, mesmo que não tenham certeza se haverá um lugar reservado para os que creem. Então, neste caso, posso considerá-los ateus.

O mais fiel de todos os crentes “atuais”, tomam golpes todos os dias, quando são questionados sobre assuntos simples como, evolução, pré-história, ciências, e geografia. Todo crente moderno, deseja ser bem-sucedido, contrariando exatamente aquilo que seu mestre Jesus cristo falou (não ajunteis tesouros na terra onde a traça e a ferrugem podem consumi-los, antes, juntem tesouros nos céus, e blá-blá-blá).
E para chegarem ao topo, para serem cabeça e não calda, muitas vezes é necessário negar suas crenças, mesmo que isso seja advertido pelas Escrituras Sagradas a qual tanto defendem. Um crente é selecionado para uma prova admissional, e antes de sair de casa ele ajoelha-se e agradece a Deus pela oportunidade lhe concedida, diz que não seria nada se não fossem as mãos do Senhor guiando seus caminhos.

Muito bem, é chegada a hora da prova e as perguntas que estão naquela folha o fazem rir por dentro. Ele pensa: Obrigado Senhor, até aqui Tu tens me ajudado, e posso ver que até facilitou um pouco. Essas perguntas eu responderei sem pestanejar, pois são facílimas. Além de serem de múltipla escolha. Glória a Deus!

1ª Pergunta: “O homem é um produto de”:

(A)   Fábrica
(B)   Artesanal
(C)   Evolução lenta a partir de um organismo unicelular
(D)   Foi criado por uma força misteriosa a mais ou menos sete mil anos
(E)    Não tenho certeza, prefiro não opinar

Vocês têm alguma dúvida de qual foi a resposta dele? Se responderam a letra D erraram, pois ele sabe que a única resposta correta é a C. E com isso ele pode estar garantindo o ingresso dele numa boa empresa, mesmo que tenha negado veementemente a sua origem como obra divina.

2ª Pergunta: “No período glacial, o homem sobreviveu porque”:  
 
(A)   Sua capacidade de adaptação o ajudou
(B)   Não houve era glacial
(C)   Uma força misteriosa o protegeu
(D)   O homem a não existia nesse período, e nessa época a Terra era sem forma e vazia
(E)    Não tenho certeza, prefiro não opinar

Novamente ele responde o óbvio que é a alternativa A, negando mais uma vez àquilo em que crê de verdade (será que crê mesmo?)

3ª Pergunta: “Por que você acha que foi selecionado para esta prova”:

(A)   A empresa não teve outra opção
(B)   Suas qualificações e conhecimentos o favoreceram
(C)   Uma força misteriosa o colocou à frente de todos os outros
(D)   Por incrível que pareça, existem cem vagas por pessoa, portanto...
(E)    Não tenho certeza, prefiro não opinar

Paro por aqui, acho que é desnecessário continuar pois, como podem ver, o mais fiel de todos os crentes, nega sua fé o tempo todo. Você pode usar a imaginação e desenvolver outras perguntas, mas eu garanto, todas o levarão a ver que não existe essa tal fé genuína...não aqui no nosso Brasil.

Venho procurando há anos um crente que refute minhas teorias, mas não encontro um sequer. Quando fazem um comentário num de meus textos, ou fazem como anônimos, ou apenas fazem um comentário sem “pé-nem-cabeça” e desaparecem. Será que eles não têm coragem? Não, não é isso, a verdade é que eles não existem.
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