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Mostrando postagens de 2026

📸 Carnaval sem celular: quando desligar também vira gesto cultural

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A Folha de S.Paulo noticiou que parte dos foliões tem optado por deixar o celular em casa durante o Carnaval, levando consigo apenas câmeras fotográficas — muitas vezes simples, antigas ou de baixo valor — como forma de registrar a festa sem o risco de furtos. A  matéria  descreve relatos de frequentadores de blocos que, diante do aumento recorrente de roubos de smartphones em grandes aglomerações, buscam alternativas práticas para preservar suas memórias e evitar prejuízos materiais. A análise da reportagem confirma que o medo do furto é real e fundamentado. Dados de carnavais anteriores mostram que o celular se tornou um dos principais alvos de crimes patrimoniais durante a folia, o que explica a adoção de estratégias preventivas. Nesse sentido, a câmera aparece como solução funcional: registra imagens, custa menos, chama menos atenção e reduz a ansiedade associada à perda de um objeto central da vida cotidiana contemporânea. No entanto, o gesto pode ser lido para além da se...

Avanço Ético x Fragilidade Política: um olhar autocrítico sobre o Brasil a partir de Leonardo Boff

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No artigo “O fracasso ético e moral da humanidade” , Leonardo Boff traça uma linha provocadora que vai da origem dos hominídeos à sociedade contemporânea. Sua tese central é conhecida e consistente: avançamos enormemente em técnica, ciência e cultura, mas não acompanhamos esse progresso no campo da ética e da moral. O resultado seria uma civilização poderosa, mas ainda incapaz de cuidar plenamente da vida, do outro e do planeta. Coerente com sua ética do cuidado e com a proposta de uma ecologia integral, Boff dá concretude política ao diagnóstico ao criticar lideranças contemporâneas como Donald Trump. Mas seria esse fracasso absoluto? Vale nuançar o diagnóstico, sem esvaziar sua força crítica. Avanços éticos: do discurso à realidade? É difícil negar que houve avanços relevantes. Tratados internacionais de direitos humanos, o amadurecimento da bioética e a construção de mecanismos de diplomacia global nunca foram tão sofisticados. O problema central não parece ser a inexistência des...

📜 Quando a maconha foi proibida no Brasil? — Um olhar histórico sobre o Rio de Janeiro do século XIX

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A proibição da maconha no Brasil é muito mais antiga — e mais reveladora — do que geralmente se imagina. Diferente do senso comum, ela  não nasce no século XX , nem surge inicialmente como resposta a estudos científicos sobre saúde pública. Sua  primeira proibição formal ocorreu em 1830 , no Rio de Janeiro, então capital do Império, ainda nos primeiros anos do Brasil independente. Naquele contexto, a  Câmara Municipal do Rio de Janeiro  aprovou um  Código de Posturas  que proibia expressamente a venda e o uso do chamado  “pito do pango” , denominação popular da maconha à época. A norma previa  multas para quem vendesse a substância  e  pena de prisão para quem a utilizasse  — sendo que os usuários atingidos pela repressão eram, em sua maioria,  africanos escravizados ou negros libertos . Esse episódio, frequentemente ignorado nas narrativas mais gerais sobre a política de drogas, é analisado de forma aprofundada na tese “É proi...

Venezuela em disputa: petróleo, poder e quatro cenários para o mundo — e para o Brasil

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A crise venezuelana deixou de ser uma questão regional para se transformar em um dos temas centrais da geopolítica global. O ataque dos Estados Unidos à Venezuela e o controle direto sobre parte das receitas do petróleo elevaram o grau de instabilidade internacional, recolocando no centro do debate três temas sensíveis:  soberania, legalidade internacional e disputa estratégica por energia . Se inicialmente se falava apenas em ocupação política e operação militar, o quadro recente revelou algo mais complexo. A Venezuela não está apenas sob pressão política: ela se tornou um laboratório de um novo modelo de poder — onde  força militar, diplomacia seletiva e controle econômico  caminham juntos. Hoje, 08/01/2026, quatro cenários se desenham no horizonte — e cada um deles tem consequências diretas para o Brasil, para a Petrobras e para a ordem internacional. Cenário 1 — Consolidação de um controle estratégico americano sobre o petróleo venezuelano Nesse cenário, a operação de...

São Telêmaco e o escândalo da violência legitimada

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O dia 1º de janeiro é lembrado no calendário litúrgico cristão como a festa de São Telêmaco , um mártir pouco conhecido, mas cuja história lança luz sobre uma das mais profundas contradições da civilização romana — e, talvez, da nossa própria. Segundo relatos do historiador cristão Teodoreto de Ciro , Telêmaco era um monge que, por volta do ano 404 d.C. , entrou em um anfiteatro em Roma ao presenciar uma luta de gladiadores. Indignado, teria se colocado entre os combatentes, clamando para que o espetáculo cessasse. A reação da multidão foi brutal: Telêmaco foi apedrejado até a morte pela plateia . Seu crime não foi a violência, mas a tentativa de interrompê-la. Esse episódio causa estranhamento imediato a muitos: como ainda havia gladiadores se o cristianismo já era a religião oficial do Império Romano? De fato, desde 380 d.C. , com o Édito de Tessalônica, o cristianismo niceno era a religião oficial do Estado. No entanto, práticas profundamente enraizadas na cultura romana — como ...