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Sem senhores e sem capatazes: Um carnaval aquilombado pelas massas

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Por  Hertz Dias* O capitalismo tornou-se um fardo insuportável nas costas de nossa classe. Nos setores oprimidos das semicolônias o fardo pesa em dobro. Por isso, o desejo de jogá-lo ao chão é cada vez maior, algo que se refletiu com muita força no carnaval de 2018. A Escola de Samba “Paraíso do Tuiuti” expressou isso na Marquês de Sapucaí. 75 minutos para desfilar, 130 anos de abolição para questionar, 500 anos de exploração e humilhação para denunciar. Emocionante, revoltante, necessário. E não foi só essa escola de samba que transformou as passarelas em “tribunas populares”, foram várias escolas de sambas e blocos alternativos de todo Brasil que resolveram escancarar o verbo com enredos e marchinhas politizadas. Não se trata de um suposto retorno nostálgico à raiz do nosso carnaval, pelo contrário, o que existe é muita luta pela sobrevivência nas trincheiras da guerra social, necessidade de denunciar o genocídio negro como fez brilhantemente a Beija Flor, de mostrar que “...

A liberdade espiritual e os evangélicos

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Por Arthur Virmond de Lacerda Neto A liberdade espiritual ou separação do Estado, das igrejas, ou laicização do Estado, foi instituída em 1890, por influência dos Positivistas, sob o valor da liberdade de pensamento, o que inclui a de crença e de descrença. Graças a ela, o Brasil deixou de adotar religião obrigatória, o catolicismo. Hoje, contudo, graças à liberdade espiritual, certos indivíduos e certas igrejas aproveitam-se da ingenuidade, da credulidade, da ignorância das massas, para, mistificando-as com a religião, locupletarem-se às custas delas, ascenderem politicamente, aspirarem à dominação gradual da sociedade segundo os dogmas da teologia bíblica. Não foi para isto que os Positivistas introduziram a liberdade espiritual, em 1890; não foi para isto que os próceres da república (Benjamin, Demétrio Ribeiro, Rui, Teixeira Mendes, Deodoro, Floriano e outros) separaram a igreja do estado e nos livraram da obrigatoriedade do catolicismo. A liberdade espiritual, princípio ca...

Como o patriarcado desmantelou o matriarcado, diabolizando a mulher

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Por Leonardo Boff* É difícil rastrear os passos que possibilitaram a liquidação do matriarcado e o triunfo do patriarcado, há 10-12 mil anos. Mas foram deixados rastos dessa luta de gênero. A forma como foi relido o pecado de Adão e Eva nos revela o trabalho de desmonte do matriarcado pelo patriarcado mediante um processo de diabolização da mulher. Essa releitura foi apresentada por duas conhecidas teólogas feministas, Riane Eisler ( Sex Myth and Poilitics of the Body: New Paths to Power and Love , Harper San Francisco 1955) e Françoise Gange ( Les dieux menteurs , Paris, Editions Indigo-Côtes Femmes,1997). Segundo estas duas autoras se realizou a uma espécie de processo de culpabilização das mulheres no esforço de consolidar o domínio patriarcal. Os ritos e símbolos sagrados do matriarcado são diabolizados e retroprojetados às origens na forma de um relato primordial, com a intenção de apagar totalmente os traços do relato feminino anterior. O atual relato do pecado das ...

O legado tucano em São Paulo

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Por Floriano Pesaro* A eleição do saudoso Mario Covas (1930-2001) ao governo estadual, em 1994, iniciou a liderança do PSDB para o bem de todos os paulistas. Ele herdou um Estado com sérios problemas fiscais, baixíssima capacidade de investimento, obras paradas e políticas públicas em desmonte. Diante desse desafio, não hesitou em fazer o que precisava ser feito e promoveu um responsável ajuste das contas públicas. Em razão das dificuldades que todo ajuste causa, a disputa pela reeleição foi duríssima, e ele quase ficou de fora do segundo turno. A população reconheceu seu trabalho de saneamento das finanças e conferiu a Mario Covas uma vitória consagradora. Dessa forma, não se permitiu descansar e deu continuidade a uma série de políticas públicas pioneiras, como os restaurantes Bom Prato, hoje com mais de 50 unidades, e o Poupatempo, referência em bom atendimento aos cidadãos em 71 unidades por todo o Estado. Com o falecimento de Covas, Geraldo Alckmin assumiu o leme do...

Seu ateísmo não me ofende!

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Por Hermes C. Fernandes * "Se Deus não existe, tudo é permitido" — Dostoiévski   O Rio de Janeiro é o estado com o maior número de ateus no Brasil. De acordo com dados do IBGE, 7,4% (cerca de 12,5 milhões) da população brasileira declararam-se " sem religião ", podendo ser agnósticos , ateus ou deístas . O mundo tem experimentado uma espécie de reavivamento do ateísmo. Artistas engrossam o coro de intelectuais e cientistas que afirmam não acreditar na existência de Deus. O que antes era um fenômeno circunscrito a certas faixas etárias (acima dos 40), agora pode ser verificado até entre adolescentes. Talvez devido ao ateísmo professado atualmente por alguns ídolos teen como Daniel Radcliffe e Zac Efron, astros das franquias cinematográficas Harry Potter e High School Musical respectivamente. Trata-se, portanto, de um ateísmo fashion, e não do clássico, fruto de uma decepção religiosa ou de uma reflexão filosófica. Anteriormente, ateus preferiam id...

RIOS DA INDIFERENÇA

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Por Fernando Gabeira* Escrevo a caminho de Pacaraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela. Saí diretamente do Rio para cá. Suponho que a sociedade também tenha essa tendência ao equilíbrio, uma espécie de sistema nervoso autônomo. Se é assim, creio que já deu sinais de que algo vai mal tanto no organismo nacional como no sul-americano. O Rio foi tomado por inúmeros casos de violência e assalto. Apesar de tantos avisos, o governador Pezão confessou que o estado não se preparou para o carnaval. Como se uma festa tão antiga e previsível fosse um raio em céu azul. O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, disse que iria aproveitar a folga do carnaval e viajar para a Europa, em busca de experiências “inovativas”. Folga, como assim? Trabalhei no carnaval por escolha, se quisesse poderia estar fantasiado em qualquer esquina. Mas um prefeito não tem folga no carnaval. É precisamente o período em que tem de cuidar de tudo, para evitar o pior. Pezão ainda não conseguiu ler o plano de s...

Nota do Sindicato dos Advogados - RJ sobre o Decreto de intervenção federal do governo Temer

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Por Álvaro Quintão* O presidente do Sindicato dos Advogados-RJ vê com enorme preocupação a decisão do governo federal de intervir, via decreto, na área da Segurança do Estado do Rio de Janeiro, colocando tropas militares para cuidar da Segurança Pública. O impopular e ilegítimo governo Temer claramente busca, com uma campanha midiática e decidida às pressas, uma verdadeira “tábua de salvação” neste ano eleitoral. A nosso ver, é um equívoco achar que concedendo às Forças Armadas plenos poderes na área da segurança pública do estado resolveremos os sérios problemas existentes no Estado do Rio de Janeiro. Ainda que a violência exija medidas sérias de proteção dos cidadãos, providências para a geração de empregos, entre outras, trariam melhores resultados do que colocar a população do Rio de Janeiro refém das Forças Armadas. Se o país vive uma crise econômica, o Rio de Janeiro é o estado que mais sofre, seja pela paralisia da Petrobras, seja pela falência das empreiteiras, a ...