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Mulheres

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DURANTE MUITO TEMPO, quando a sociedade era iminentemente patriarcal, nós decidíamos quase toda a vida das mulheres. Determinamos como elas deveriam falar, sentar, vestir, casar, se comportar. Hipocritamente, dividimos as mulheres entre as que eram para "comer" e as que eram para "casar". Fazíamos questão em público de tecer louvores à virtude da castidade feminina e da honradez da mulher casada enquanto no privado, satisfazíamos nossos instintos sexuais com as putas que nós chamávamos nas rodas de cidadãos respeitáveis de "vadias", "mulheres de vida fácil", "piranhas", "safadas". Curiosamente, por uma dessas ironias da história, essas tais hoje fazem questão de se autoafirmarem com todos os adjetivos que nós criamos para elas. Durante séculos, determinamos que elas eram o "sexo frágil", quando nós sabíamos que elas possuíam uma fortaleza que nós jamais poderíamos ter. Determinamos que haviam assuntos de home...

Neste carnaval, mais do que nunca eu sou Mangueira!

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Desde criança, eu já tinha duas agremiações pelas quais nutria certas afinidades. Uma era o Flamengo, time de futebol pelo qual meu pai torcia alucinadamente e que, desde os primeiros dias de vida, fez-me um seguidor do rubro-negro havendo me vestido com uma fralda com a estampa do escudo do clube. Já a outra simpatia que eu tinha era pela escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Ou simplesmente,  Mangueira ... Entretanto, jamais fui um fã do Carnaval e nem cheguei a ter grandes paixões pelo futebol. Anualmente, sempre que rolavam os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, nos meses de fevereiro e março, torcia para que a Mangueira vencesse. Só que, até os tempos de adolescente, nunca me ligava no samba-enredo de nenhuma delas, sendo que me chamavam mais a atenção os carros alegóricos, algumas fantasias e, logicamente, as mulheres quase peladas cujos corpos e movimentos mexem com a libido de qualquer macho. É possível que as três vitórias ...

Sexo e Carnaval

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Por Hélio Couto Quando se separa o sexo do amor, todo tipo de conseqüências ruins aparecem.  Lembrem que tudo que atrapalha nossa evolução afetiva, mental e emocional também é ruim pros negócios. O sexo nos seres humanos tem de ser uma expressão de amor. Quando é separado da afetividade, causará problemas físicos, mentais e emocionais naquele que está manipulando ou fazendo sexo sem amor. A baixa auto-estima é inevitável. Desvalia, desmerecimento e vazio interior. Um orgasmo sem afeto é nos seres que tem auto-consciência um ato biológico apenas e se o problema é descarregar essa tensão, qualquer masturbação resolve isso. Sexo como agressão, poder ou domínio criará profundas somatizações emocionais e espirituais. Quando mais se faz isso mais se afasta da essência interior; da Fonte da própria pessoa. Essa é a visão do mais profundo nível da personalidade. Onde todos os problemas ou soluções estão. Nossa sociedade está tão afastada do sentimento de amor com sexo e de se...

“A Amazônia não precisa ser conquistada; precisa ser respeitada”

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No começo do mês passado, teve início um seminário organizado pela Secretaria Geral do Sínodo intitulado: “Rumo ao Sínodo Especial para a Amazônia: dimensão regional e universal”. Tal evento trata-se de uma das muitas iniciativas que a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos está realizando para preparar adequadamente o Sínodo Especial sobre a Amazônia , o qual terá lugar em Roma em outubro próximo. Durante a ocasião, o bispo franciscano, Dom Evaristo Spengler , Bispo da Prelazia do Marajó (PA), falou a respeito do tema “Ecologia, Economia e Política”. Leia na íntegra o seu discurso: Quero iniciar retomando as palavras do papa Francisco na Laudato Si’: “A ecologia estuda as relações entre os organismos vivos e o meio ambiente onde se desenvolvem. E isso exige que se pare para pensar e discutir acerca das condições de vida e de sobrevivência de uma sociedade, com a honestidade de pôr em questão modelos de desenvolvimento, produção e consumo. Nunca é demais insistir que tudo está ...

Sem merenda, uniforme rasgado e cantando o hino

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Por Pedro Gorki* Imagine a cena. Uma criança brasileira chega para estudar em uma das escolas afetadas pelo escândalo dos desvios do dinheiro da merenda escolar. Ela tem fome porque, assim como muitas outras, precisa daquela refeição todos os dias. Na escola dela as mesas e carteiras estão quebradas, a quadra esburacada, falta material escolar porque o governo do seu país não quer investir nisso. O professor dela recebe um salário humilhante, a escola sofre com a violência e o descaso. Quando o ministro da Educação manda um recado para essa criança, não é um recado de preocupação com nenhum desses problemas. Ele só quer vê-la sendo filmada todos os dias de pé, debaixo do sol, uniforme rasgado e cantando o hino nacional. Seria apenas uma piada de mal gosto se não fosse a realidade do Brasil de 2019. A falta de noção, sensibilidade e preparo do novo ministro Ricardo Vélez Rodriguez já eram conhecidos. Mas agora, com a carta enviada oficialmente em seu nome a todas as escolas do p...

O luto parece não ter fim

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Por Leonardo Boff* O Brasil parece tomado por um luto que nunca termina. As pessoas andam acabrunhadas por causa do desemprego e pelas reformas conservadoras que o novo governo pretende introduzir, tirando direitos dos trabalhadores e atacando diretamente várias políticas sociais que beneficiavam os mais destituídos. Estudantes universitários que viviam com bolsas do governo tiveram que interromper seus estudos. Reformas na educação nos remetem à fase anterior ao Iluminismo, em alguns pontos, à Idade Média. Uma sombra escura pesa sobre o rosto de milhões de compatriotas. Parece que cada dia acontece algo sinistro. Sem dúvida o grande luto nacional foi o criminoso desastre de Bromadinho-MG que, com o rompimento da barragem da mineradora Vale, foram dizimadas centenas de vidas em meio a um tsunami de resíduos de metais pesados, lama e água, poluindo o rio por dezenas de quilômetros. Luto foi a morte do conhecido jornalista Ricardo Boechat com a queda de um helicóptero. Luto foi a...

Conhecendo Chico Mendes?

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Por Alfredo Sirkis Para quem não teve a honra de conhecê-lo, meu testemunho: Conheci o Chico Mendes em Xapuri, em 1987.  Foi uma amizade intensa, instantânea,  e um pacto imediato de apoio nosso à luta dos seringueiros que, na nossa ótica,  representava a junção das lutas sociais e ambientais. Voltando ao Rio passei a montar uma rede de apoio ao Chico Mendes que logo veio ao Rio e participou de um encontro dos verdes em Petrópolis.  Tinha uma constante preocupação com o Chico que estava ameaçado de morte por vários pecuaristas que tinha impedido de ampliar sua "fronteira de pasto" realizando "empates". Um deles, Darli Alves, era o mais perigoso. O mais preocupante é que parecia haver uma ligação da Policia Federal, supostamente lá para proteger Chico, com os fazendeiros que o ameaçavam, inclusive Darli. O Conselho Nacional de Serigneiros descobriu que ele cometera crimes de morte no Paraná e tinha inclusive um mandado de prisão por lá. A informação foi vaz...