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HOJE É DIA DE RELEMBRAR DRUMMOND

Hoje é dia de Drummond de Andrade (31 de outubro de 1902 ― 17 de agosto de 1987). Como homenagem justa, nada melhor que trazer à tona uma das maravilhosas poesias desse fenomenal poeta de Itabira - MG que tanto encantou e ainda encanta o Brasil: “Necrológio dos Desiludidos do Amor” NECROLÓGIO DOS DESILUDIDOS DO AMOR Os desiludidos do amor estão desfechando tiros no peito. Do meu quarto ouço a fuzilaria. As amadas torcem-se de gozo. Oh quanta matéria para os jornais. Desiludidos mas fotografados, escreveram cartas explicativas, tomaram todas as providências para o remorso das amadas. Pum pum pum adeus, enjoada. ................................................. Eu vou, tu ficas, mas nos veremos seja no claro céu ou turvo inferno. Os médicos estão fazendo a autópsia dos desiludidos que se mataram. Que grandes corações eles possuíam. Visceras imensas, tripas sentimentais e um estômago cheio de poesia… Agora vamos para o cemitério levar o...

Da fogueira pré-histórica ao "iSolamento virtual"

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Desde os tempos dos antigos hominídeos, há centenas de milhares de anos, famílias pré-históricas reuniam-se em torno de fogueiras com a finalidade de preparar o alimento e, consequentemente, conviver. Iluminando a escuridão noturna, nossos ancestrais puderam conversar entre si, contar suas experiências, trocar ideias, rememorar eventos do passado, fazer brincadeiras, celebrar seus mitos e experiências religiosas de maneira que o fogo se tornava fator de aproximação e de união entre as pessoas. Muitas dessas suposições são, obviamente, baseadas em tribos estudadas por pesquisadores, as quais muitas das vezes viviam da caça e coleta de vegetais em diferentes regiões do planeta. Segundo um artigo da antropóloga Polly Wiessner , da Universidade de Utah, nos EUA, publicado numa das edições de setembro de 2014 do periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), assim seriam as experiências dos grupos primitivos que habitam o Deserto do Kalahari, região semi...

Legado de Vargas

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Por Ubiratan do Espírito Santo* CLT- Consolidação das leis de trabalho -Jornada diária de 8 horas - Legalização da situação de trabalho da mulher e do menor - férias - Instituição da CTPS - Criação do salário mínimo, etc. Com o fim da república velha (1889-1930), Vargas deu o pontapé inicial para a industrialização do Brasil. Saímos de uma economia agrícola e semifeudal para o processo de instalação das indústrias de base. Aprofundamento e expansão da metalurgia, siderurgia... Vargas costurou um acordo com os EUA e trouxe a CSN, companhia siderúrgica nacional, em troca de apoio aos americanos na II grande guerra - Uma das negociações que impulsionou nossa revolução industrial- , ainda que tardia. Atuação de Bolsonaro e Guedes Lamentavelmente, com a ascensão do atual governo cuja orientação é de extrema direita e, neoliberal na economia, estamos assistindo, perplexos, o desmonte do aparelho estatal e suas conquistas de décadas. O presidente eleito em 2018 e sua equipe ...

Sob o império do grosseiro e do obsceno

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Por Leonardo Boff* Se há algo a lamentar profundamente hoje em dia nas redes sociais de nosso país é o império da grosseria e da obscenidade. Essa metáfora já foi usada por outros: parece que as portas e as janelas do inferno se abriram de par em par. Daí saíram os demônios das ofensas pessoais, das injúrias, dos fake news, das mentiras, das calúnias e de toda sorte de palavras de baixíssimo calão. Nem precisaria Freud ter chamado a atenção ao fato de que há pessoas com fixação anal, usando palavras escatológicas e metáforas ligadas a perversões sexuais, pois as encontramos frequentemente nos twitters, nos facebooks, nos youtubes e em outros canais. A grosseria demonstra a falta de educação, de civilidade, de cortesia e de polidez no trato para com as pessoas. A grosseria transforma a pessoa em vulgar. O linguajar vulgar usa expressões que ferem a sensibilidade dos outros ao seu redor. A vulgaridade contumaz deixa as pessoas inseguras, pois, nunca sabem quais gestos, palavrõe...

A FILOSOFIA NO BANCO DOS RÉUS

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Por Dib Cury* Não tenho dúvidas de que a Vida que as pessoas vivem é o espelho de suas mentes. Os indivíduos só transitam pela Vida que são capazes de visualizar mentalmente e são atraídos pelos horizontes que valorizam em suas ideias. É uma questão daquilo que compreendemos e daquilo que nos tornamos capazes de ver. São as chamadas crenças pessoais que nos determinam. Historicamente, é sabido que, para controlar as pessoas, é preciso determinar suas crenças e limitar suas ideias, pois mentes amplas abrem perspectivas maiores do que determina a rotina comezinha, prosaica e interesseira dos mercados e governos. A Filosofia sempre teve a vocação primeira de expansão das mentalidades, de dissolução de crenças limitantes e de denúncia das tolices massificantes. Para controlar as pessoas, é preciso banir a Filosofia. Sempre foi assim. Filósofos como Sócrates e Giordano Bruno foram mortos por discordarem do pensamento vigente. A filósofa Hipácia foi esquartejada em praça pública co...

Mais Uma Reprise de “Os Deuses de Casaca”

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Por Levi B. Santos* Parece que na vida de nosso país, apelidado de republiqueta das bananas, a comicidade e a falta de seriedade no trato da coisa pública nunca se revestiram de tão degradantes aspectos como os que acontecem nos dias atuais. A comédia machadiana ― “Os Deuses de Casaca” ―, escrita em 1886 (há mais de 150 anos) cai como uma luva para retratar a bagunça que está o país nesses últimos dias, onde peças de péssima qualidade e óperas bufas são encenadas no grande teatro dos três poderes situado no planalto central, que deram o nome de Brasília ― fantasioso palco onde os mais variados idealistas de ocasião exibem suas maquiavélicas e caricatas incongruências, cada vez mais escalofobéticas. Os afetos da natureza humana são ambíguos, como ambígua é também as almas dos que lá no panteão dos poderes exercitam seus neurônios. Entretanto, a turbulência de seus inflamados egos não permite que enxerguem o óbvio: a da necessidade de um mínimo de consenso diante de suas facç...

Precisamos de uma educação do coração

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Por  Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama* Quando o presidente dos Estados Unidos diz "Primeiro a América", ele está fazendo com que seus eleitores se sintam felizes. Sou capaz de entender isso. Mas, de uma perspectiva global, esta afirmação não é relevante. Hoje em dia, tudo está interconectado. A nova realidade é que somos todos interdependentes uns com os outros. Os Estados Unidos são uma nação que lidera o mundo livre. Por essa razão, peço ao seu presidente que pense melhor sobre questões de âmbito global. Não há fronteiras nacionais quando se trata de proteção climática ou de economia global. Tampouco há fronteiras religiosas. Chegou a hora de entendermos que somos todos seres humanos iguais neste planeta. Quer desejemos ou não, precisamos coexistir. A história nos diz que quando as pessoas perseguem apenas seus próprios interesses nacionais, há conflitos e guerras. Essa visão é míope e estreita. É também não realista e desatualizada. Vivermos juntos como irmãos e i...