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Memórias de um escritor quase esquecido num Rio que passou...

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Houve uma época em que havia mais cultura no Rio de Janeiro, antes que as subculturas do funk e do evangelicalismo dominassem a cidade, como foi ocorrendo visivelmente nas últimas três décadas. Pesquisando sobre personalidades que fariam aniversário neste segundo dia do mês de janeiro, caso estivessem ainda entre nós, descobri que, há exatos 166 anos, nascia em Lençóis o militar, jornalista, cronista, humorista e dramaturgo Urbano Duarte de Oliveira (1855 — 10 de fevereiro de 1902), um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras (Cadeira número 12).  Urbano fez parte do grupo boêmio de Olavo Bilac e, durante mais de 20 anos, colaborou em órgãos da imprensa da época, como a Gazeta Literária , O Paiz , Correio do Povo (com Alcindo Guanabara, Artur Azevedo e Alfredo Madureira), Gazetinha e Jornal do Commercio , tendo se destacado como um dos maiores cronistas humorísticos na imprensa do Rio de Janeiro e também no teatro, deixando-nos, entre outras, as seguintes obras: ...

O Rio já teve políticos melhores que os de hoje...

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  " É preciso prosseguir ainda quando se saiba que os outros não estão preparados para a nossa generosidade." ( Artur da Távola ) Houve um tempo em que a população do Estado do Rio de Janeiro votava um pouco melhor do que atualmente e elegia pessoas mais interessantes. Era o caso do jornalista, advogado, escritor e professor Paulo Alberto Moretzsonh Monteiro de Barros, conhecido pelo pseudônimo de  Artur da Távola  que, se estivesse ainda entre nós, completaria 85 anos em 03/01/2021.  Tendo iniciado a sua vida política em 1960, no extinto Estado da Guanabara, Artur da Távola chegou a ser deputado, mas foi cassado da Assembleia Legislativa pelo regime militar, precisando deixar o país para escapar da perseguição ideológica. E chegou a viver na Bolívia e no Chile, retornando depois  à vida pública de modo que foi um dos nossos constituintes em 1988.  Artur da Távola nunca foi eleito prefeito, porém exerceu mandatos de deputado federal de 1987 a 1995 e, d...

Vivemos no mundo da lua

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  Por Mino Carta Parece-me que o Brasil atual atingiu um ponto extremo de uma crise de demência que vem de longe, se quisermos, desde o descobrimento. Desconfio, porém, da existência de um juízo brasileiro, na lua ou em qualquer lugar do universo. Neste país que ainda não chegou a nação , a guerra das vacinas, em pleno desenvolvimento e de incerto final, é a prova provada de uma situação de terrificante descalabro, sem contar o fato de que o suposto presidente da República mais uma vez transgride a Constituição, a lhe impor todo o cuidado com a saúde popular. Um ditado italiano diz a respeito de quem está fora do eixo e perdeu a razão: “Ele vive no mundo da lua”. O planeta dos lunáticos, admiravelmente representado por Georges Méliès*  no seu famosíssimo filme, obra-prima do alvorecer da Sétima Arte. Cada vez menos países ficam fora de um plano de vacinação, hoje já previsto para abarcar o mundo, quem sabe antes do Natal ou logo após. Aqui vivemos à margem da humanidade por ...

A relação entre os cidadãos e os seus representantes após as eleições

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As eleições passam, mas os debates políticos ficam, os quais sempre virão à tona de algum jeito. Inclusive tais expressões têm se mostrado cada vez mais presentes em épocas de comemorações festivas como o Natal, o Ano Novo e o Carnaval, embora quase sempre espontâneas.  Geralmente é a partir de 08/03, no  Dia Internacional da Mulher , que alguns grupos sociais organizados começam a articular as suas ações, buscando influenciar decisões a serem deliberadas na pauta política de um país, região ou cidade. A partir daí, temos cerca de nove meses de acontecimentos relacionados à política, apesar dos fatos que ocorrem no chamado "apagar das luzes", ou logo no começo de um mandato, sem o suficiente conhecimento do público por meio dos canais de divulgação. Como se sabe, a chamada  democracia deliberativa  constitui-se como um processo de deliberação política caracterizado por um conjunto de pressupostos teórico-normativos que incorporam a participação da sociedade civi...

Habermas, a filosofia e as redes sociais

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  O mais influente pensador vivo completou 89 anos Jurgen Habermas mantém o saudável hábito de conceder poucas entrevistas. O filósofo alemão, que completa 89 anos nesta segunda-feira 18, continua, porém, a analisar os temas essenciais do mundo contemporâneo em uma volumosa produção de livros e artigos.  Internet e redes sociais É possível que com o tempo aprendamos a lidar com as redes sociais de forma civilizada. A internet abriu milhões de nichos subculturais úteis nos quais se troca informação confiável e opiniões fundamentadas. Pensemos não só nos blogs dos cientistas, mas nos pacientes que sofrem de uma doença rara e entram em contato com outros na mesma condição em outro continente para se ajudar mutuamente com conselhos e experiências. Sou velho demais para julgar o impulso cultural que as novas mídias vão gerar. O que me irrita é o fato de que se trata da primeira revolução da mídia na história da humanidade que serve antes de tudo a fins econômicos, e não culturais. ...

Chico Calipígio

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  E COMO O BRASIL É MESMO O PAÍS DO GROTESCO, senadores criticaram o ministro Barroso do Supremo por pedido de afastamento do senador Chico Calipígio. Muito "coerentemente", o senador do PSD-BA disse que foi uma ação "afoita, e o direito ao contraditório"? Penso eu aqui qual seria o "contraditório" que o senador Chico Calipígio teria a oferecer. Talvez seria "Policial, eu estava com um desarranjo estomacal e estava cagando dinheiro. Não sei porquê, por uma graça divina ou mutação genética, eu defeco dinheiro"

14 de Outubro - Dia do Velejador

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  Por Aarão de Moura Brito Neto "Navegar é preciso, viver não é preciso" [?] No século I a.c., o general romano Pompeu, encorajava marinheiros receosos, inaugurando a frase “ Navigare necesse, vivere non est necesse .” Corria o século XIV e o poeta italiano Petrarca transformava a expressão para “Navegar é preciso, viver não é preciso.” “Quero para mim o espírito dessa frase”, escreveu depois Fernando Pessoa, confinando o seu sentido de vida à criação. E cantando a coragem navegante, em jeito de fado brasileiro, Caetano Veloso escreveu Os Argonautas . “Navegar é preciso, viver …” Com um fim inacabado, a música lança as interrogações. Navegar é preciso? Sim! Navegar é uma viagem exata. Fazia-se com bússolas e astrolábios. Hoje, faz-se com satélites, GPS’ e www’s. Viver não é preciso? Não! É uma viagem feita de opções, medos, forças, inseguranças, persistências, constâncias e transições… Mais de 2000 mil anos depois, interrogamo-nos: Viver não é preciso? Não, quando navegar é s...