
Gostei da provocação anterior do texto do Márcio, e tanto mais nos questionamentos sobre as contribuições freudianas e suas implicações na análise da vida, e em toda ciência dos fenônemenos psíquicos.
Na obra do pai da psicanálise, há um único exemplo de 'tratamento bem-sucedido', comentado por Fédida, psicanalista francês. É uma história fictícia, que evolui em Pompéia na Itália. O tratamento conduzido por Zoe Gradiva com o arqueólogo Norberto Hanold. Zoe é sua amiga de infância, mas Norberto esquece-se completamente dela...
"Norbert Harnold tornou-se um grande e sábio arqueólogo. Faz pesquisas acadêmicas e sua vida se caracteriza por não interessar-se por mulheres.
Uma dia enamora-se de um baixo relevo que representa 'uma jovem que avança' - Gradiva. Ao enamorar-se dele começa a delirar: tem alucinações e parte em viagem a Pompéia. Empreende a viagem mas não percebe, que no percurso dela, alguém o acompanha em ligeira distância, sem jamais confrontá-lo, sem jamais obrigá-lo a realizar o que se passa em sua cabeça. Leva muito tempo para que Norberto descubra que a pessoa representada pelo baixo relevo é Zoe, sua amiga de infância. É ela que vai libertar-lhe o amor. É ela quem vai lhe tornar possivel o amor, libertando-o do delírio.
Quando Norberto estiver curado poderá de novo re-encontrar o sonho em seu sono. Renunciará a seu delírio e poderá amar diretamente Zoe Bertgang - Gradiva. Ao longo de toda sua viagem ela o acompanhou sem jamais esposar seu delírio, sem nunca fundir-se com ele no imaginário.
(...) Jamais Zoe sacode o herói para que ele acorde, ela sabe muito bem que isso não permitiria a cura de Norberto, pelo contrário, acentuaria suas alucinações e reforçaria o delírio. Ela sabe que é preciso deixar tempo para o encaminhamento do delírio."*
O texto de Fédida é sobre o amor transferencial, e de como isso implica na 'cura'. Mas essa narrativa simbólica remete a muitas reflexões...
Zoe poderia simplesmente ter dito:
- Oi, eu sou Zoe, porque você nao enxerga isso logo de uma vez e desiste dessa viagem louca, eu sou real, essa gravura á só um sonho!!!
Precisamos forçar a 'porta das verdades' dos sujeitos e mostrar o que só é dado na caminhada pessoal de cada um?
Ha tantas e ricas questões nesse texto, por isso trouxe para compartilhar com vocês.
* Transcrição do texto Amor e Morte na Transfêrencia, Pierre Fedida, gravado em 1981.
Comentários
O psicanalista ouve a fala do sujeito em intermináveis sessões. Não força o sujeito, mostrando-lhe o caminho, antes, procura escutá-lo de forma incansável, para ver o que há por trás do seu discurso, a fim de encontrar os nós intricados, que é a fala (sem os disfarces), provinda de um conteúdo inconsciente que foi reprimido.
O psicanalista não se opõe ao delírio do analisando, pois é desse farto material delirante que ele retira o seu conteúdo latente que, examinado a fundo, lhe fornecerá aquilo que o motivou.
Ele, magnificamente, aproveitou nessa ficção, o amor transferencial do analisando pelo analista. Zoe é o recalcado no inconsciente do analisando (a amiga de infância) que durante a análise é projetada de forma inconsciente no analista.
Mas aqui, Freud quis evidenciar que o analista não deve aceitar ser uma Gradiva de suporte(rsrs). Isto significa dizer que, ele, o analista, não pode corresponder ao amor do analisando. Com o seu conceito “contratransferência”, ele pretendia dar um basta na questão do envolvimento emocional do analisando com analista, que na sua época estava pipocando entre seus seguidores. Dizem que Jung chegou a se envolver com suas analisandas, e que Freud, por algumas vezes, deu-lhe puxões de orelhas (rsrs)
Um filme recente, muito aplaudido pela crítica ― “O MÉTODO PERIGOSO” (de Cronenberg - 2011), de cunho psicanalítico, mostra um caso de AMOR TRANSFERENCIAL: a história verídica de Sabina. O filme mostra os dois monstros da psicanálise (Freud e Jung) em uma trama sensacional, onde está em relevo a discussão da sexualidade.
Filme imperdível para quem quer rever as discordâncias entre Jung e Freud. A película tem como pano de fundo o envolvimento de Jung com sua ex-paciente, Sabina, que se tornou psicanalista também. Jung cedeu ao amor transferencial, envolvendo-se intimamente com Sabina, participando inclusive de suas perversões.
Elídia, se você não conferiu ainda esse filme, aproveite que ele está disponível na internet, podendo ser gravado.(rsrs)
Realmente para a psicanálise o mais importante não é a veracidade da fala do paciente, mas a “fala em si”, porém, me pergunto já passando a bola pra vocês (rsrsrs), nesta relação do analisado com seu analista, não poderia, o analisado, ter sua fala na verdade sugestionada pelo analista?
Esta possibilidade de sugestionamento por parte do analista, já não colocaria em xeque a analise em si?
Até porque, a pessoa que vai a clinica buscando ajuda psicanalítica, já vai com a pré-disposição e pré-ideia de que o analista vai ajuda-la, de que tudo que ele falar será verdade.
Inclusive o próprio Freud chegou a admitir ser possível que as recordações de sedução, por parte de suas pacientes, fossem "fantasias criadas pelas pacientes ou, talvez, eu mesmo as houvesse forçado" (apud Webster, 1995, p. 210).
E, mais: não seria “covardia” ao mesmo tempo em que colocaria o analista numa posição privilegiada de ser sempre sua analise, interpretação e considerações “inquestionáveis” e “infalíveis” por parte do paciente, uma vez que o analista pode sempre que quiser ou precisar usar o argumento (justificativa) do inconsciente e autoengano? “Olha fulano de tal, você esta dizendo isto, mas na verdade, inconscientemente é isto, porque você esta se autoenganando”.
Quando o analista de fato sugere, realmente põe em xeque a análise. O analista deve se manter numa posição subjetiva em relação ao paciente com a máxima neutralidade e abstinência possível , e longe da ambição terapêutica, de que possa curar. Essa ambição é o motor da sugestão e o sentimento mais perigoso do analista.
O analista já está de início investido de um suposto saber (que o paciente lhe atribui), mas de forma alguma deve se identificar com esse saber. Estar sempre ciente de que nada sabe sobre o sujeito é premissa básica. Desse modo, se nada sabe, a interpretação está a cargo do paciente. Somente o sonhador pode o sonho significar. Somente o paciente pode interpretar o que diz.
O analista deve se revestir de esperança frente a dor do outro, sabendo que nada pode fazer, a não ser de certa distância acompanhá-lo. Cabe a ele escutar o paciente e lhe devolver para que escutando o que disse, possa interpretar.
Se o analista cai no engodo da sugestão e da interpretação entra numa cadeia de interpretações infinitas, visto que atende a demanda do paciente, é exatamente isso que a neurose quer: o desejo de que o outro atenda sua demanda. Ou seja, invalida o processo de análise.
Bem, sou o Kleber, sou psicólogo clínico recém-formado e, como a Elídia, fascinado pela psicanálise, embora esteja no começo da caminhada.
O Blog é excelente. Conheci hoje e já gostei muito. Parabéns pelo texto tb.
O seu brilhante comentário, por si só, pode ser considerado como uma postagem. Assim sendo peço sua permissão para, posteriormente, republicá-lo aqui neste espaço. Você foi de uma clareza fora de série.
A sua participação numa linguagem simples e direta, veio responder de forma clara os questionamentos do meu confrade Márcio que também faz Psicologia.
Apareça sempre. Sinta-se em casa.
Abraços,
Levi B. Santos
Vou lhe dar uma boa ideia: crie um perfil ficticio no blogger e deixa ele lá, amadurecer bastante tempo, tipo uns 5 meses, porque você criar no mesmo dia em que irá fazer um comentário não pega bem. rsrs
Outra coisa, não escreva o comentário, porque a sua forma de escrita é impessoal, e, portanto, facil de se "pegar", peça da proxima vez, ou para o Carlos, Julia ou outra pessoa para digitar para você, quem sabe assim, você não é pego. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
se fudeu, eu te peguei de novo. kkkkkkkk
Márcio, tenho que lhe dizer que está enganado. Quanto a forma de escrita, é meu estilo. Apaguei pq ainda achei muito técnico e confuso e busquei simplificar pois costumo ser prolixo, eh uma característica negativa minha.
Www.facebook.com/kleberbuenosaires meu perfil no face
Obrigado
Não entendi a sua reação.
Cliquei no link "www.facebook.com/kleberbuenosaires", e constatei que esta página existe e está em franca atividade desde 2009.
O consultório de Psicologia do Kleber no Facebook, vem com essa localização: rua Theodoro Rosas, 1001, sexto andar - Ponta Grossa - Paraná.
Nesse caso, não sei quem deu o tiro no pé (rsrsrs)
Publiquei como "conta do google" que já tenho há tempos, mas acho que o blogspot automaticamente cria um perfil básico, e ficou com data de ontem mesmo.
Não costumo comentar blogs, acho foi a primeira vez depois de muitos anos... (rs).
De qualquer forma, propositadamente postei com o link do facebook, e espero estar tudo entendido. :-)
Abraços
Kleber
A propósito, estou lendo a discussão gerada a partir do texto sobre Sartre e está sendo muito "edificante" :-)
Já que vc tem um perfil verdadeiro no faceebok, não terá nenhum problema em me add também:
http://www.facebook.com/marcio.alves.98837
Esta eu quero ver senhor NOREDA ou EDSON ou PROVOCADOR. kkkkkkkkkk
se fudeu de novo rsrsrs
Deixei msg pra vc inclusive com a localização.
Se o fiz eh pq pretendo ter a liberdade de participar daqui sem essas suspeitas infundadas.
Convidei o Levi para ser amigo do face. Ele poderá fuçar a vontade.
Nao sabe quão maravilhosa a experiência de ler esse blog apesar dessa insistência.
Obrigado.
Nem adianta vir com esta conversinha sentimental pra cima de mim...se você não é um perfil fake, então me add..não custa nada...esta eu quero ver...desta vez, eu realmente te substimei...você criou um uma conta no blogger com o nome de um perfil verdadeiro no facebook...mas a mim, que te conheci desde que você nasceu, que trocou suas fraudas, que pos talco no seu "bum-bum" você não engana. kkkkkkkkkkkkkk
Parabens mano, quase que eu ia caindo nesta também.
É tão simples resolver este dilema...é só você me add com o seu perfil no facebook e nem que seja para depois você me exclui quando eu aceitar...se fizer isto, eu venho publicamente pedir desculpas.
Mas claro que você não fará isto, pelo contrário! Continuará com estes seus comentários sentimentais para desviar o foco, e sabe porque? Porque você KLEBERSON não é o "KLEBERSON", mas o meu amigo e irmão EDSON.
EDSON você pode ser um gênio, mas não é "deus" para "adivinhar" (leia-se roubar) a senha do facebook do KLEBERSON....quero ver sair desta papudo. kkkkkkkkkkkkkkkk
Mas faltou você fazer uma apreciação sobre o que o Kleberson, ou Noreda, ou Edson , ou Provocador, ou seja lá quem for, escreveu em seu instigante comentário sobre o analista e o ideal da análise
Vai lá, manda brasa! (rsrs)
Veja meu perfil, a maioria dos posts são públicos.
Leia também sua inbox, enviei algumas mensagens.
Quanto a "pedir desculpas publicamente", não é necessário.
Decisão sua.
Aguardo, como o Levi, sua apreciação do comentário.
Mas quero em fim, deixar para você um convite:
Me envie um texto escrito por você, pode ser um texto psicologico, filosofico ou até mesmo cristão, que eu posto aqui na confraria para nós debatermos...e ae topas?
Meu e-mail: marcioaf2728@hotmail.com
Quanto a textos, tenho algumas reflexões, no face, poesias tb.
Costumo fazê-las espontânea e livremente, sem pretensão científica ou acadêmica. Talvez o modo como escrevo não sirva ao propósito do blog, mas de qualquer forma quem quiser poderá acessá-las no meu facebook.
https://www.facebook.com/kleberbuenosaires